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Ansiedade atinge 1 em cada 10 crianças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Em um mundo cada vez mais competitivo e cheio de problemas sociais e de relacionamento, crianças e adolescentes estão sendo submetidos de forma crescente a altas doses de pressão psicológica. E isso não tem sido nada bom. Estudos recentes apontam que uma em cada dez crianças e adolescentes pode apresentar algum quadro patológico de ansiedade. Pessoas com esse tipo de distúrbio têm lotado os consultórios médicos em todo o mundo.

Especialistas apontam como causas prováveis para o problema entre o público infanto-juvenil a cobrança dentro da escola e o estresse no ambiente familiar, entre outras. Ter pais ansiosos ou depressivos é o principal fator de risco para que uma criança desenvolva distúrbios de ansiedade durante a infância. A constatação é do Ambulatório de Ansiedade na Infância e Adolescência do Instituto de Psiquiatria (Ambulansia) do Hospital das Clínicas de São Paulo, que tem observado o comportamento de crianças e adolescentes com idades entre 5 e 17 anos.

A psicóloga Suzana Duque Dabus conta que tem recebido em seu consultório uma grande quantidade de crianças estressadas e deprimidas por causa das exigências nas escolas e o excesso de atividades extra-classe. “As crianças não têm mais tempo para brincar. É tudo muito corrido”, comenta. Suzana lembra que esse tipo de problema sempre existiu, mas antigamente era algo mais isolado. Atualmente, tornou-se freqüente.

Segundo ela, a cobrança dos pais por um bom desempenho escolar está entre os principais motivos que levam crianças e adolescentes a um nível de ansiedade elevado. “Em dose certa ela (ansiedade) é boa, porque estimula, mas fica nociva quando é exagerada”, alerta. Se não for tratada, o excesso de ansiedade pode virar uma fobia ou síndrome do pânico.

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Limite

“Hoje, o mundo está muito mais competitivo e isso faz com que os pais queiram preparar os filhos desde pequenos para enfrentar os desafios”, relata a psicóloga Suzana Duque Dabus. Cientes dessa preocupação, as escolas particulares, na opinião da psicóloga, estão cada vez mais competindo entre elas para oferecer um diferencial para os pais e, assim, atrair alunos. Cada uma quer oferecer mais que a concorrente e acabam enchendo o aluno de atividades e tarefas.

“Também acho que deve haver um ensino forte, que prepare as crianças para o vestibular, que está cada vez mais difícil, mas precisa ter um limite. É preciso adequar as informações à faixa etária do aluno e isso não está acontecendo”, afirma.

Segundo a psicóloga, quando a criança passa a não entender mais o que está sendo ensinado, ela deixa de prestar atenção na aula. “Algumas acompanham (o ritmo do ensino), mas muitas não conseguem e isso está trazendo sérios problemas para as crianças. Elas passam a acreditar que são incompetentes, incapazes. Além disso, os amigos colocam apelidos pejorativos como ‘lerdo’, ‘fracassado’, ‘burro’”, diz.

Para Suzana, o pior de tudo isso é que os pais são coniventes com a situação. “Eles acreditam que quanto mais a escola exige mais bem está fazendo para o filho.”

A vida da criança se resume em ir para a escola, depois ao reforço escolar e fica sem tempo para brincar. “Ela vive esse estado de ter de cumprir as tarefas e com isso fica ansiosa”, explica.

Uma das maneiras de evitar que o problema tome conta da criança é diminuir a carga de cobrança e respeitar seus limites. “Não podemos esquecer que ela é apenas uma criança e precisa ser tratada como tal. Ela não pode ser encarada como um adulto”, recomenda.

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