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Elite conservadora não quer que o País avance, critica Lula

Por Fernanda Krakovics | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Em encontro com professores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que acabou o tempo em que o Brasil era governado para um terço de sua população e disse que a elite conservadora não quer que o País avance.

No evento de campanha em homenagem ao Dia do Professor, ele disse que sonha tornar o Brasil o País mais democrático do mundo no acesso à universidade e prometeu criar, em um eventual segundo mandato, mais 300 mil vagas no ProUni -programa que concede bolsas em universidades particulares para estudantes de baixa renda. Segundo o Ministério da Educação, o ProUni concedeu 112 mil bolsas desde 2004. “Acabou o tempo em que o Brasil era governado para um terço da sua população. Ele tem que ser governado para todos”, disse Lula.

O presidente tomou café da manhã com cerca de 50 professores, de seis Estados, em um hotel de Brasília. Segundo informação oficial, o deslocamento dos professores foi pago pela campanha e a mobilização feita pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A professora de educação indígena Dalila Cândido disse que foi convidada pelo coordenador da Funai em Campo Grande (MS), Wanderley Dias Cardoso. O evento foi marcado por elogios à gestão petista e críticas ao candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin.

“Fiquei estarrecida quando vi anteontem no programa eleitoral o outro candidato dizendo que professor bom é professor bem treinado. Treinamento é uma palavra que a gente não usa mais nem para trabalhar com animais. Isso demonstra a visão de educação que ele tem”, disse a professora Olga Cristina da Rocha.

Participaram do evento os ministros Tarso Genro (Relações Institucionais), Fernando Haddad (Educação), Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), o chefe-de-gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, o coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia, e o filósofo Mangabeira Unger.

Ética

O ministro Tarso Genro afirmou ontem que o eleitorado está “exaurido’’ do debate ético e sinalizou que o PT deve explorar, a partir de agora, os ataques feitos pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em São Paulo para desgastar o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e tentar mudar o foco do debate.

“A complacência do Estado com uma organização criminosa é uma questão de ética pública e é mais grave do que a questão do dinheiro (para comprar dossiê contra tucanos) ou da mesma gravidade”, disse ele, antes de participar de um evento da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ministro considerou uma falha da campanha à reeleição não ter explorado no primeiro turno a onda de violência em São Paulo. “O partido ficou muito encolhido, até por remorso, porque pessoas importantes (do PT) cometeram erros”, disse Genro.

Ele defendeu que Alckmin seja cobrado a respeito do fortalecimento do PCC em São Paulo toda vez que o PSDB questionar o presidente Lula a respeito de escândalos de corrupção. “O eleitor já está exaurido do debate sobre ética. Perdemos no primeiro turno esse debate porque o PT estava com sentimento de culpa pelo envolvimento de seus integrantes (em escândalos) e não reagiu à altura”, disse o ministro.

Para ele, o fator determinante para levar a eleição para o segundo turno foi o vazamento, dias antes da eleição, da foto de R$ 1,7 milhão apreendido com dois integrantes do PT, dinheiro que seria utilizado para comprar um dossiê contra tucanos. “Foi uma tentativa de criar, por parte da mídia, uma relação simbólica do presidente Lula com o dinheiro.”

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