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Alckmin diz querer o apoio do PDT

Por Raimundo de Oliveira | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

São Paulo - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, afirmou ontem que quer o apoio do PDT e, por isso, mandou um documento ao presidente do partido, Carlos Luppi assumindo compromissos para um eventual governo tucano.

Entre os compromissos de Alckmin está o de não privatizar a Previdência e de criar um piso salarial para os professores. “Recebi o documento com a questão da não-privatização (da Previdência) e do piso salarial, direitos dos trabalhadores, a educação e o crescimento. É a minha proposta. Eu quero ser presidente, por isto quero o apoio do PDT”, disse o candidato que fez campanha ontem em uma feira livre no bairro Capão Redondo, zona sul de São Paulo.

Alckmin defendeu a criação de um piso nacional para os professores da rede pública de ensino, uma das principais propostas para a educação do programa de governo de Cristovam Buarque, candidato derrotado do PDT. “Nós vamos ter um piso para o magistério para valorizar o professor”, afirmou.

Alckmin voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, sobre o escândalo do dossiê contra candidatos tucanos. “Hoje está completando o primeiro aniversário. Faz 30 dias que encontraram o R$ 1,7 milhão. Trinta dias depois e o Lula e PT não explicam de onde saiu o dinheiro.

A investigação anda a passo de tartaruga”, disse. Alckmin também acusou o governo por ingerência na Polícia Federal (PF) por conta da condução das investigações sobre o dossiê supostamente comprado por petistas para prejudicar sua campanha e a campanha do também tucano José Serra, governador eleito de São Paulo.

O tucano também criticou a exploração, pela campanha petista, do fato de sua filha Sofia ter trabalhado na Daslu, empresa investigada por sonegação de impostos e importação irregular, e de sua mulher, dona Lu, ter recebido vestidos na época em que era primeira dama do governo de São Paulo.

O estilista depois recuou de suas acusações. “É típico do PT, tirar proveito de uma coisa injusta, depois ficam fazendo discurso de bom moço”, disse o candidato ao comentar o pedido de desculpa feito em nota pela coordenação da campanha petista por ter criticado os fatos relativos à Sofia e dona Lu em um boletim da campanha de Lula. Ele afirmou ainda que não teme o depoimento do empresário Abel Pereira, apontado como suposto elo entre os ex-ministros tucanos da Saúde Barjas Negri e José Serra com a máfia dos sanguessugas, esquema de compra superfaturada de ambulâncias por meio de emendas parlamentares ao orçamento da União.

“Eu sou totalmente favorável (ao depoimento de Abel). Se tiver que explicar, explique. Eu não vejo nenhum problema nisto. Agora, o que a população quer saber é de onde veio o dinheiro, esta fortuna, para comprar o dossiê fajuto para interferir no processo eleitoral”, disse. Questionado sobre o tom “agressivo” que usou no debate com Lula na TV Bandeirantes, Alckmin desconversou. “Não é agressivo, é verdadeiro. Falar a verdade para o povo brasileiro.”

Supérfluo Alckmin voltou a defender o corte de gastos no governo. “Nesta questão de gastos, eles (o governo de Lula) em quatro anos não cortaram gastos supérfluos, pelo contrário, aumentaram os gastos com o aparelhamento do Estado, não emprego para o povo, mas para os petistas, para a companheirada.”

O tucano também disse que, se eleito, vai reduzir gastos “começando pela passagem do ônibus, de metrô e trem”. “É o PIS, Cofins sobre óleo diesel, sobre energia elétrica, onerando a população mais pobre”, disse.

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Definição sai hoje

São Paulo - O PDT deve anunciar hoje sua posição oficial neste segundo turno das eleições presidenciais. A definição deve sair após reunião dos cerca 300 membros do Diretório Nacional, no Rio de Janeiro. Até ontem, a Executiva Nacional do partido avaliava as respostas das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Geraldo Alckmin (PSDB) à consulta feita pelo PDT sobre compromissos programáticos.

Em carta enviada às duas campanhas, o partido apresenta quatro exigências mínimas como condição para que o PDT declare apoio a uma das candidaturas. "A partir delas, a Executiva pode até dar alguma opinião, mas quem vai decidir a posição do PDT é o Diretório Nacional", disse o presidente do partido, Carlos Luppi.

Entre os quatro compromissos listados pelo PDT está a definição de metas para a implementação da educação em tempo integral no Ensino Fundamental em todo o País, bandeira levantada durante toda a campanha do candidato do partido, Cristovam Buarque, no primeiro turno.

Em seguida, o partido inclui como condições para o apoio no segundo turno a garantia da manutenção dos atuais direitos trabalhistas, mesmo sendo feita uma reforma da legislação; a não privatização de nenhuma estatal e uma política desenvolvimentista voltada para os pequenos e médios empresários.

A reportagem apurou que a maior parte dos diretórios estaduais prefere apoiar Alckmin. No entanto, alguns Estados defendem o apoio a Lula. Se não houver consenso, o PDT pode acabar ficando neutro no segundo turno.

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