Quando ingressei na Faculdade de Direito de Bauru, em 1988, jovem e sonhadora, pouco sabia da vida e, menos ainda, da advocacia. Certa manhã, no início do primeiro termo, noticiaram que um renomado advogado, pai de um colega de classe chamado Renato, viria nos falar. Como não era de Bauru, não conhecia o aluno, tampouco seu pai, mas confesso que fiquei curiosa para saber quem seria o tão célebre advogado...
Após o intervalo, adentrou a sala um homem corpulento, de compleição elegante e voz de tenor. Discorreu com tamanha naturalidade, utilizando seu português impecável e sua eloqüência ímpar, que prontamente fascinou a todos, especialmente a mim.
Sua presença era marcante, tanto quanto sua personalidade.
Sua postura, elegante, tanto quanto a maneira com que tratava a todos.
Sua memória, infalível, tanto quanto a amizade que dedicava aos seus.
Seu raciocínio era rápido, tanto quanto sua perspicácia.
Seu discurso, passional, tanto quanto seu temperamento.
Seu vernáculo, irretorquível, tanto quanto seu caráter.
Seu espírito, complacente, tanto quanto suas atitudes.
A partir daquele dia, passei a entender a nobreza do Direito, tão nobre quanto foi o dr. Valdomir Mandalitti.
Vera Márcia Perez Prado - RG 19.783.782-7