Mais de quatro anos após o desaparecimento do empresário Nélson Olyntho Machado, na época com 52 anos, dois dos três acusados de matá-lo vão a júri popular hoje a partir das 9h no Fórum de Bauru. Como no julgamento que condenou o outro réu, Fabiano Aparecido Cardoso, a 16 anos de reclusão em março do ano passado, a previsão é que o processo seja longo, podendo se estender por mais de um dia.
Isso porque trata-se de um dos casos policiais de maior repercussão dos últimos anos na região. Apesar de até ontem o corpo não ter sido encontrado - Machado desapareceu no dia 8 de agosto de 2002 -, Marcelo Gabriel Ferreira e Reinaldo Pereira de Brito, que estão presos, são acusados de matar o empresário usando meio cruel e sem lhe permitir defesa.
Os três seriam julgados juntos. Mas no primeiro júri, em março do ano passado, a defesa conseguiu desmembrar o processo. Na ocasião, Cardoso foi condenado a 16 anos de reclusão pela morte do empresário. A defesa pediu um novo julgamento, mas o Tribunal de Justiça (TJ) manteve a condenação.
Ferreira e Brito iriam a júri em dezembro do ano passado, mas a Justiça aceitou o pedido da defesa, de que o julgamento fosse marcado em outra data. O empresário foi visto, pela última vez, entrando em um carro com os acusados do crime.
Apesar de um deles ter confessado que seqüestrou Olyntho e que viu ele sendo espancado pelos outros dois até ficar desacordado, o corpo não foi encontrado. Ferreira afirmou, em depoimento, que Brito, ex-cunhado de Olyntho, e Cardoso pretendiam enterrar o empresário em uma cova que ele viu já aberta na área rural de Agudos.
Na época que foi preso, cerca de 20 dias após o empresário ter desaparecido, Ferreira chegou a apontar para a polícia o local onde supostamente Brito e Cardoso pretendiam enterrar a vítima, no meio do cafezal. A polícia fez buscas no local usando um trator para escavações e não localizou o corpo. A suspeita da polícia na época e da família era que o corpo de Machado chegou realmente a ser enterrado no local apontado por Ferreira, mas foi retirado antes das buscas.
Se forem condenados, cada um dos dois réus poderá pegar de 14 anos a 36 anos de prisão. Como no primeiro julgamento, a família do empresário pretende assistir ao júri e pedir pena máxima aos dois acusados. Célia Dalbém, ex-mulher de Olyntho, conta que familiares do empresário de Lençóis Paulista e do Rio de Janeiro devem estar presente ao julgamento.
“O que a família dele espera é a condenação. A nossa expectativa é de um julgamento longo, de dois a três dias, mas que acabe com a condenação, assim como do primeiro”, comenta. Sobre a localização do corpo, a família já está perdendo as esperanças. “Eles (os três acusados) estão presos há anos e não disseram onde está o corpo”, completa.
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Suposta briga de família
O empresário Nélson Olynto Machado foi visto pela última vez entrando em sua Ipanema próximo de seu escritório, localizado na avenida Getúlio Vargas, em Bauru. Ele estaria acompanhado por Reinaldo Pereira de Brito, seu ex-cunhado, e de Fabiano Aparecido Cardoso. Um dia antes, testemunhas viram Brito, Cardoso e Marcelo Gabriel Ferreira na esquina do escritório de Machado. O desaparecimento do empresário pode estar ligado a um problema de família.
Olyntho teria ajudado sua irmã, que era casada com Brito, a sair de Bauru. O casal estaria passando por um momento turbulento. Brito teria feito ameaças a cunhado porque queria saber do paradeiro de sua mulher.