Tribuna do Leitor

Do intelectual ao real


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Admiro todas as reflexões intelectuais repetidamente divulgadas nas páginas diárias dos veículos de grande circulação, sobre a apatia nacional. Percebo que são escritas por pessoas cultas e de conhecimento amplo dos descasos, desmandos e corrupção que agridem a cidadania e o bolso de todos os brasileiros. Muitas das vezes são assinadas por ilustres cidadãos respeitados e reconhecidos na profissão que exerce ou pela riqueza acumulada em benefício próprio. São pessoas que fazem valer sua opinião e que podem ajudar a acabar com esse comodismo ao citar suas próprias atitudes diante das agressões morais e sociais, pois conhecem todos os caminhos do poder e da justiça.

Ser um estudioso dos fatos, crítico da conduta alheia e proclamador das estatísticas não prova que esse reconhecido cidadão repudia a inércia e pratica cidadania. Trabalhar como voluntário, uma hora por semana nas instituições organizadas ou defender um humilde indivíduo desrespeitado nos direitos básicos, promove maior repercussão e desperta lento mas progressivo interesse naqueles que recolhessem o valor de quem o faz. Advogados da OAB tiveram a iniciativa de fazer mutirão de cidadania, o trabalho começou humilde por alunos e professores das universidades locais, hoje é um trabalho reconhecido nacionalmente. O Conselho Municipal da Saúde de Bauru teve a iniciativa de pedir ao Ministério Público para ajudar a melhorar o acesso dos usuários aos serviços públicos de saúde, e está dando certo. Há algum tempo atrás um grupo de cidadãos se posicionou em defesa dos rios Bauru e Batalha, milhares de árvores já foram plantadas por toda extensão das margens que poucos têm conhecimento, mas todos se beneficiam.

Outro dia sai atrás dos biólogos da Semma para salvar duas sibipirunas cinqüentenárias que estão na mira daqueles que reclamam das folhas secas e consegui salvar. Unimed no bairro, os amarelinhos e o albergue noturno do Centro Espírita Amor e Caridade, o Grupo Irmã Sheila, Paiva, Centrinho, Apae, Sorri, Cips, Instituto Vid’água e outras centenas de iniciativas individuais e coletivas são exemplos que formam imensas ondas porque pessoas conceituadas estão envolvidas.

Falar do ideal e cobrar a sociedade é omitir-se da responsabilidade. Vamos unir os estudiosos aos arrojados para efetivar o direito de todos.

Rosemary Lopes de Moura - coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, gestora e facilitadora do Pólo Sudoeste Paulista de Educação Permanente para o SUS, titular dos Conselhos Gestores da Vila Dutra e Pronto-Socorro Central e Conselho Municipal da Saúde de Bauru - RG 17.744.863

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