A exibição de “Ser e Ter” na madrugada de amanhã, 0h15, no canal pago GNT, é uma boa chance para rever o documentário de Nicolas Philibert sem a sombra da polêmica que o cercou quando do lançamento do filme nos cinemas. Retrato do cotidiano de uma pequena escola pré-primária no interior da França, o filme quebrou recorde de público entre documentários naquele país e colocou Philibert, os produtores e distribuidores do filme no centro de uma ação judicial.
O professor Georges Lopez, personagem central de “Ser e Ter”, questionava o uso de sua imagem e cobrava uma indenização de US$ 250 mil. Tudo devido ao sucesso do filme, que apenas na França superou os 2 milhões de espectadores. E o que tanto encanta em “Ser e Ter”? A intensa dedicação de Lopez para ensinar às 13 crianças, de quatro a 12 anos, conceitos básicos educacionais e sociais é um ponto importante.
Outro é o próprio carisma dos alunos, em especial o do caçula Jojo. Mas o que mais atrai no filme é o ambiente quase idílico que cerca a escola. Philibert encontrou no interior da França uma comunidade que parece isolada dos problemas do resto do país (e do mundo). Violência, crise do sistema de ensino, tudo isso passa ao largo de “Ser e Ter”, que emana candura e nostalgia.