O período de entressafra e a volta das exportações brasileiras ao mercado comum europeu estão sendo apontados como os principais causadores da alta em torno de 20% dos preços das carnes bovinas nos últimos 30 dias. Supermercados e açougues consultados pela reportagem, que já sentem reflexos como queda nas vendas e substituição por outros produtos, sugerem como alternativa as carnes de porco, cujos preços têm se mantido estáveis.
De acordo com o gerente do setor de perecíveis de uma rede supermercadista da cidade, Pedro Sérgio Baptista, os aumentos são decorrentes do “auge do período da entressafra”, que ocorre entre julho e novembro. Segundo ele, após o dia 10 de novembro os preços devem começar a registrar queda.
“Estamos no auge da entressafra porque, neste momento, os pecuaristas já abateram todo o gado que ficou confinado (na engorda) e o boi de pasto ainda não está bom para ser abatido (porque não está chovendo) e vendido aos frigoríficos. Além disso, depois do problema dos focos de febre aftosa encontrados no Brasil no ano passado, só recentemente o mercado comum europeu e a Ásia voltaram a comprar a nossa carne. Então, a prioridade no momento são as vendas externas”, analisa Baptista.
Segundo ele, nos últimos 45 dias o preço da arroba do boi subiu cerca de 35%. “Estamos nos esforçando para não repassar tudo isso para o consumidor, pois sabemos que é difícil arcar com todo esse aumento. A margem de lucro dos comerciantes também caiu”, acrescenta.
De acordo com Baptista, o quilo de carnes nobres como a picanha, que há 30 dias era vendido por R$ 13,90, atualmente não sai por menos de R$ 16,90. No caso da alcatra, carne muito consumida nos supermercados da rede, o preço do quilo passou de R$ 9,90 para R$ 11,90. Já o coxão mole subiu de R$ 7,90 para R$ 9,90, enquanto a fraudinha, muito usada em churrascos, saltou de R$ 5,90 para R$ 7,90.
“Nós já sentimos queda em torno de 15% nas vendas de carnes bovinas nos últimos 30 dias. As pessoas têm substituído por alguns tipos de peixe, frango e carne de porco. Para se ter uma idéia, o quilo da bisteca suína sai por R$ 5,90, e da costela, R$ 6,90”, sugere o gerente.
Carne suína
O funcionário de um açougue localizado no Jardim América, Luciano André de Souza diz que o estabelecimento ainda não está registrando prejuízos. Entretanto, ele admite que os clientes estão comprando quantidades menores de carne bovina ou optando pelos cortes de carne suína. Neste açougue, o quilo da bisteca de porco sai por R$ 7,90, e do pernil, por R$ 5,90.
“Todo ano isso (alta de preços) acontece no período da entressafra. Até o final do ano ainda deve subir mais um pouco. Há um mês, o quilo do contra-filé era vendido aqui a R$ 9,90. Hoje está R$ 11,50. A picanha mais cara custava R$ 21,00. Agora, os preços variam de R$ 15,90 a R$ 24,00. O patinho, que é uma carne muito procurada, passou de R$ 7,50 para R$ 9,20”, enumera.
Na avaliação do gerente de compras de outra rede supermercadista, Marcos Renato Lourenção, não há previsão de queda dos preços em breve. “Agora os preços estão subindo devido à entressafra. Quando esse período acabar, vai estar próximo do Natal. Então, acredito que os fornecedores não vão diminuir os preços das carnes”, observa.
Lourenção também recomenda como alternativas as carnes suínas (cujos preços estão estáveis há cerca de seis meses), peixes e frango.
“As pessoas acham que o frango está mais caro porque comparam com aquele período que teve muitas promoções em função da gripe aviária. Mas na verdade, os preços de agora são os mesmos que estavam sendo cobrados antes desse problema. Mas também há outras alternativas. O coxão mole (de R$ 6,99), por exemplo, pode ser substituído pelo miolo de sete, que custa R$ 4,99”, sugere.