Economia & Negócios

Financiamento sem TR deve ser curto, dizem especialistas

Por Thatiza Curuci | Com Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A nova modalidade de financiamento habitacional apresentada anteontem pela Caixa Econômica Federal (CEF), cujos juros são prefixados e não há cobrança da taxa referencial (TR), é vantajosa para a população assalariada por ter valor fixo das prestações até o fim do contrato. Por outro lado, especialistas consultados pela reportagem orientam que, assim como nas demais linhas oferecidas, nesta o mutuário também deve preferir o menor prazo possível para pagar o empréstimo.

“Assim como em toda modalidade de financiamento, os juros já estão embutidos no valor das prestações. Nesta nova linha também é assim. Então, quanto menor for o prazo escolhido para quitar o financiamento, menores serão os juros. O ideal é que o mutuário dê o maior valor que puder como entrada para reduzir a quantidade de parcelas”, orienta o advogado Ricardo Bastos, especializado em habitação.

Para a presidente da Associação de Moradores e Mutuários de Bauru e região, Marizabel Moreno Ghirardello, a nova modalidade é vantajosa para quem é assalariado e faz planejamento a longo prazo. “A forma de contrato é clara e permite ao mutuário fazer planos de quanto vai pagar nas prestações”, explica.

O novo financiamento da casa própria voltado para a classe média (conforme divulgado ontem pelo Jornal da Cidade) permite que o mutuário saiba o valor que irá pagar nas prestações mensais até o final do contrato.

Assim, o mutuário que tenha renda familiar de R$ 5,8 mil sabe, por exemplo, que ao comprar um imóvel de até R$ 130 mil para pagar no prazo de 180 meses, terá prestações mensais fixas de R$ 1.672,64 (descontados em folha de pagamento) com juros anuais prefixados em 11,9%. A taxa de juros da nova linha sem a TR varia de 11,9% a 14,5% ao ano, dependendo do valor do imóvel e da forma de pagamento - débito em conta ou pagamento com carnê.

A principal diferença entre o novo tipo de financiamento habitacional e o modelo em que paga-se a taxa referencial é que o mutuário corre menos riscos. Em caso de uma eventual volta da inflação, por exemplo, em que a TR tende a se elevar, o mutuário continuaria pagando o mesmo valor das parcelas.

Menos riscos

Segundo o superintendente regional da Caixa em Bauru, José Paulo Gomes de Amorim, os clientes do banco requisitavam esse tipo de financiamento há algum tempo. Ele concorda que as prestações têm valores maiores do que nos financiamentos com TR, mas ressalta que os riscos são menores. “É um produto voltado a um público que tem medo em relação a política econômica e de que futuramente possam ver as prestações subirem a um ponto que não consigam pagar”, explica.

O presidente da Associação Brasileira de Mutuários da Habitação (ABMH), Amauri Bellini, afirma que o melhor para o mutuário é analisar as condições da CEF e ver em qual modalidade sua situação se encaixa melhor, com a ajuda de um especialista. Também para ele, é importante lembrar que quanto maior o valor financiado, mais juros serão pagos. Então, o mutuário deve dar a maior entrada que puder, financiando o menor valor possível.

A cota de financiamento desta modalidade é a mesma daquelas em que é cobrada a TR, ou seja, 80% do valor do imóvel. Mas o prazo máximo é menor, de até 180 meses (ou 15 anos). Os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) também podem ser usados tanto na entrada quanto em pagamento nas parcelas mensais.

Para essa nova linha, o banco, líder em empréstimos para compra de imóveis, destinará cerca de R$ 1 bilhão até o final deste ano. A Caixa informou que já foram aplicados R$ 11,1 bilhões em financiamentos habitacionais até outubro deste ano em todo País. O volume de empréstimos é 104% superior ao do mesmo período de 2005. Segundo o banco, 503 mil famílias já foram beneficiadas pelos empréstimos.

Números regionais de expectativa com a nova linha não foram divulgados, mas na região de Bauru a CEF já emprestou mais de R$ 92 milhões em financiamentos habitacionais e estima chegar a R$ 120 milhões até o fim deste ano.

A nova linha da Caixa já incorpora as mudanças legais anunciadas pelo governo no pacote habitacional para a compra da casa própria no mês passado. O governo decidiu permitir que os bancos utilizassem recursos depositados em caderneta de poupança para oferecer empréstimos prefixados. A exclusão da TR, entretanto, foi uma opção oferecida aos bancos e não é obrigatória.

• Serviço

Mais informações sobre a nova linha de financiamento sem TR podem ser obtidas em qualquer uma das cinco agências da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru. O horário de atendimento bancário é das 10h30 às 16h, de segunda a sexta. Os telefones das agências são: 2107-3250 (Altos da Cidade); 2106-6900 (av. Duque de Caxias); 2106-9700 (agência Bauru); 2107-3200 (Centenário) e 2109-9800 (Nações).

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