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FHC sustenta privatização da Petrobras

Folhapress
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São Paulo - De volta da Espanha, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso provocou tremores ontem na campanha de Geraldo Alckmin à Presidência ao, num ato falho - ou “cacoete de linguagem”, como justificou - dar a entender que defende a privatização da Petrobras. Foi na manhã de ontem, durante entrevista à rádio CBN. Após chamar de arcaica a discussão sobre a pertinência das privatizações, FHC afirmou que “ninguém vai privatizar a Petrobras”. Mas, imediamente, declarou: “Não sou contrário à privatização da Petrobras”.

Como Alckmin é taxado de privatista pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde que chegou ao segundo turno, o ruído fez com que FHC divulgasse uma nota para se explicar: “Um cacoete de linguagem, de minha parte, e uma transcrição imprecisa da entrevista (...) deram origem a um mal-entendido sobre minha posição quanto ao controle da Petrobrás e do Banco do Brasil”, diz a nota, na qual FHC atribui a confusão à omissão de uma vírgula: “Perguntado sobre a onda de desinformação e terrorismo eleitoral em torno do assunto, declarei textualmente: “Isso é demagogia. Ninguém vai privatizar a Petrobras. Eu disse isso quando foi feita a Lei (que flexibilizou o monopólio estatal no setor). Eu mandei uma carta ao Senado. Eu não (e aqui caberia a vírgula ou o ponto e vírgula que ficou faltando para dar sentido à frase), sou contrário à privatização da Petrobras. Ela deve ser outra coisa: uma empresa pública. E não ser utilizada para fins políticos”.

FHC se refere à carta que enviou ao Senado em agosto de 1995, quando se comprometeu a não privatizar a Petrobras. Apesar do esclarecimento, divulgado quase nove horas depois da entrevista, a confusão tende a desgastar ainda mais a relação entre FHC e Alckmin. Segundo tucanos, Alckmin está contrariado com o comportamento de FHC, que, no primeiro turno, divulgou uma nota em que admitia a derrota para Lula.

À revista Playboy, FHC disse ainda que José Serra é o homem mais preparado para assumir a Presidência. Ainda segundo tucanos, Alckmin reclama com freqüência de FHC, lembrando até que abrigou seus indicados no Palácio dos Bandeirantes quando assumiu o governo. Alckmin teria dito que preferiria FHC longe da campanha, para esvaziar a estratégia do PT de comparação do governo Lula com o do antecessor.

Na entrevista, FHC citou a privatização da Embraer, da Vale do Rio Doce e do sistema de telefonia como exemplos bem-sucedidos no País.

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