Tribuna do Leitor

Meio ambiente x desenvolvimento


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Quando falamos em meio ambiente, logo vem à mente das pessoas as plantas, animais, rios, mas o principal ator desse tema fica de lado. Nós, seres humanos, muitas vezes não nos colocamos como parte desse ambiente, seja em casa, no trabalho, na escola, no lazer, enfim, onde quer que estejamos, estaremos nos relacionando com o meio ambiente. Muitas pessoas ainda associam a questão ambiental ao impedimento do crescimento seja da cidade ou até mesmo do país.

Um dos países mais megadiversos do mundo, o Brasil nunca soube muito bem como lidar com o tema meio ambiente, populações tradicionais e povos indígenas. Índices de desmatamento, perdas da biodiversidade e conflitos fundiários vêm comumente batendo seus próprios recordes, e dentro do governo a temática ambiental tem sido preterida sistematicamente em nome de interesses econômicos maiores - como no caso da liberação do plantio de transgênicos, do rompimento das fronteiras agrícolas no cerrado, dentre outros.

É verdade que desde a realização da Eco 92 o debate ambiental se popularizou no país, e o próprio marco legal relativo ao meio ambiente teve avanços. Mas a questão de fundo persiste: o cumprimento da legislação ambiental repetidamente vem sendo atacado como barreira ao “desenvolvimento”, assim como os direitos constitucionais de populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, que adicionalmente sofrem com a lentidão e a falta de recursos para a sua implementação.

A dubiedade do governo e os sinais contraditórios que tem emitido através dos diversos ministérios - de um lado, Minas e Energia, Integração e Agricultura, empenhados na implementação de grandes complexos “produtivos” como estradas, hidrelétricas, mineradoras, hidrovias, expansão agropecuária, etc, e do outro, Meio Ambiente e Desenvolvimento Agrário, mais preocupados com o desenvolvimento sustentável, tem sido outro desafio para nós cidadãos brasileiros em especial os ambientalistas.

Quais seriam as principais causas dessa falta de sincronia dentro do próprio sistema de governo? Interesses econômicos? Políticas públicas? Participação popular? Estamos passando por um período de definição do nosso plano diretor, cabe a cada um refletir e posteriormente se responsabilizar pela cobrança de nossos representantes.

Ivan A F de Marche - RG 23.643.161-4

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