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Alckmin critica Lula e a reeleição

Folhapress
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Brasília - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, condenou ontem a possibilidade de reeleição. Segundo ele, a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - candidato do PT - irá antecipar a campanha eleitoral de 2010. “Se o Lula for reeleito, o governo acaba antes de começar. Já começa no dia seguinte a discutir (a eleição de) 2010. Para que perder tempo”, afirmou ele ontem em debate com integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O tucano ainda criticou a reeleição. “A nossa proposta é de mudança. Já fui reeleito e a reeleição é um pouquinho mais do mesmo.”

A reeleição foi aprovada em 1997, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ao criticar a reeleição, Alckmin acena para os governadores eleitos Aécio Neves (PSDB-MG) e José Serra (PSDB-SP), prováveis candidatos à vaga de candidato a presidente pelo partido em 2010.

Antes do debate com Alckmin, o presidente da OAB, Roberto Busato, disse que considerava “contraditório” o argumento apresentado por Lula para não comparecer ao debate que a entidade realizaria com o candidato petista nesta semana.

Em carta enviada à OAB, Lula lamentou que o debate não tenha sido marcado no primeiro turno, quando o presidente alega que teria comparecido. “O presidente Lula não participou dos debates no primeiro turno, disse que a oportunidade seria no segundo turno, por isso ele foi convidado agora. Os motivos do candidato foram contraditórios”, disse Busato.

“O clima não é bom e isso parte dos dois lados. Os dois candidatos apresentam um discurso igual, o que nos preocupa. Não podemos partir para uma divisão do País. Na última eleição, tivemos um clima saudável, mas agora vemos uma divisão que não faz parte do contexto histórico do povo brasileiro”, criticou Busato.

Máquina pública

Aliado do candidato do PSDB à Presidência, o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia (RJ), avaliou ontem que o aumento da distância entre o tucano e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - candidato do PT à reeleição -, revelado pela pesquisa Datafolha, deve-se a pouca audiência dos programas eleitorais no rádio e na televisão.

O deputado aponta ainda para a estrutura da campanha do presidente Lula. “Acho que o número das pessoas que não estão acompanhando os programas eleitorais é desfavorável ao candidato Alckmin, que também tem uma estrutura de campanha muito menor do que o candidato Lula, que está usando a máquina pública de forma absurda, está mentindo muito, o que não e do feitio do Alckmin”, afirmou, referindo-se ao discurso disseminado pela campanha petistas de que, se eleito, Alckmin fará privatizações e promoverá demissão no setor público.

Na análise do pefelista, o cenário será diferente quando o índice de 50% dos eleitores que não assistem aos programas eleitorais - captado por pesquisas internas - ficar entre 25% e 20%. “Tenho certeza que teremos, quando o programa for mais assistido, o eleitor tomando sua decisão. No final da campanha, a disputa será muito apertada entre os dois candidatos”, afirmou Maia.

O deputado preferiu não expor críticas à condução da campanha de Alckmin e o que pode ser alterado para viabilizar o candidato. “Cabe ao coordenador da campanha tomar as posições cabíveis”, justificou. Maia observou, no entanto, que o programa eleitoral de Alckmin na TV se mostrou eficiente no primeiro turno, indicando que uma mudança na campanha não passa por alterações na propaganda política. “O programa que levou o Alckmin numa situação muito boa para o segundo turno não pode ser um programa ruim, tem mais qualidades do que defeitos”, disse.

Aliados

Entre os aliados do presidente Lula, o resultado da pesquisa, que indica 20 pontos de vantagem do petista com relação a Alckmin, foi recebido com cautela. “A pesquisa é um retrato instantâneo, não pode substituir a campanha nem a livre movimentação dos eleitores. Já tivemos campanhas em que as pesquisas mostraram imensa vantagem para um candidato e, no final, o resultado foi diferente. Não podemos confiar nas pesquisas”, disse o presidente da Câmara, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que integra a articulação da campanha do presidente.

O líder do PT na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), disse que a pesquisa revela consolidação da candidatura do presidente Lula e faz com que a oposição entre em desespero aumentando os ataques ao governo.

“O ambiente está se consolidando e a oposição entra na fase de desespero final porque percebeu que o tipo de debate que está tentando fazer (sobre o dossiê) perdeu terreno, ao mesmo tempo em que admite que é favorável às privatizações”, insistiu Fontana.

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