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Escolarização, uma prioridade


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Os japoneses são mais inteligentes, ouvi dizer por diversas vezes. Não é esse o meu entendimento, mas procurei indagar sobre os motivos de tal afirmação reiteradamente expressada. Dentre os aprovados no vestibular da USP em 1949, 3,4% eram nikeis. Conforme dados do Centro de Estudos Nipo-Brasileiros, por ocasião dos 70 anos da Imigração (1978), os nikeis aprovados da Fuvest já constituíam quase 12% e, em 1991, 17% .

Para explicar a alta escolaridade dos nikeis do Brasil, é importante lembrar as altas taxas de alfabetização exibidas pelo Japão, a prioridade dada à educação e sua continuidade entre os imigrantes no Brasil. Além disso, o grau de escolaridade dos imigrantes era superior ao dos nacionais. Não constituíam exceção os que possuíam escolarização básica e média. Aqui chegaram também imigrantes graduados em línguas, em agronomia, em artes... Segundo Sussumu Miyao, talvez por influência do confucionismo, entre os orientais em geral, a educação de seus filhos e filhas é, de fato, uma prioridade.

Os imigrantes japoneses no Brasil sempre se preocuparam com a educação dos filhos. Em meio à dura labuta na lavoura, quando conquistaram terra própria, logo doaram um terreno para a construção, em mutirão, de uma escola, seguida da solicitação, ao Estado, de uma professora. As despesas eram custeadas pelas pequenas mensalidades das associações de japoneses, assim como pelas colaborações dos familiares com hospedagem e gêneros alimentícios.

Esse empenho resultou no aumento da escolarização também da população de origem não japonesa (hinikkei). Num período, eram ministradas aulas regulares em português no estilo das conhecidas “escolas mistas”, em que a professora lecionava para três séries ao mesmo tempo. No outro período, a comunidade japonesa se encarregava do ensino da língua japonesa.

Segundo Kiyotani e Yamashiro, a informação da instalação de uma escola atraía imigrantes que se mudavam para esse local com o propósito de garantir a escolarização dos filhos. Em 1932, já havia 207 escolas onde se ministrava língua japonesa; em 1938, eram 476 escolas com cerca de 20 mil alunos, 554 professores (468 homens e 86 mulheres), dos quais 276 devidamente diplomados no Brasil.

Desde 1930, o presidente Getulio Vargas vinha colocando obstáculos ao ensino de língua estrangeira. Em 1933, o governo do Estado de São Paulo decretou a proibição para menores de 10 anos de idade. Em 1938, essa proibição é estendida para menores de 14 anos. Em dezembro de 1938, por decreto presidencial, todas as escolas de língua estrangeira foram fechadas. A freqüência à escola primária, porém, continuou sendo ponto de honra dos imigrantes japoneses.

Explica-se, pois, o sucesso de tantos nikeis nos vestibulares de importantes universidades públicas. Os percentuais de nikeis com escolaridade superior ultrapassa a média geral do Estado de São Paulo. No entanto, há motivos de preocupação: esses percentuais estão caindo. Observando egressos das universidades com dificuldades na conquista de postos de trabalho, muitos jovens interrompem os estudos e migram temporariamente para o Japão em busca de trabalho com melhor remuneração. Não raro constituem família e, às vezes, não priorizam a educação dos filhos. Os altos custos da escolarização, a intenção de breve retorno, as dificuldades com a língua, entre outros motivos, têm levado à queda nos níveis de escolarização dos nikeis. Esse quadro merece profunda reflexão.

A autora, Iolanda Toshie Ide, é presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher de Lins

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