Como já se bastassem os problemas do dia-a-dia alguns moradores do Altos da Cidade são obrigados a se preocupar com 15 gatos órfãos, que vivem, há cerca de dois meses, numa casa abandonada na quadra 12 da rua Rubens Arruda. Sensibilizados com a situação dos bichanos, alguns vizinhos tentam alimentá-los, mas com dificuldade, já que a casa se encontra totalmente trancada.
Um morador da rua, que preferiu não ter o nome divulgado, se sente sensibilizado com a situação dos felinos. “Eles estão passando fome. Não podemos fazer nada, porque a casa está trancada”, diz o homem. “Gostaria que o serviço de proteção dos animais os tirassem daqui e levassem para um local adequado, onde pudessem ser cuidados e posteriormente adotados por outros donos”, completa.
Os gatos trazem outras preocupações aos moradores, principalmente com relação à saúde. Uma moradora da mesma rua, que também não quis se identificar, elenca os perigos. “O ambiente se torna propício para a propagação de doenças.”
A suposição é confirmada pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Bauru, órgão do Departamento de Saúde Coletiva. Segundo o diretor substituto, Flávio Tadeu Salvador, por não possuírem donos, os animais são caracterizados como errantes, não podendo habitarem aquele local.
Segundo Salvador, o CCZ nada pode fazer já que a casa se encontra trancada e não é permitido que funcionários do órgão entrem no local sem autorização do proprietário. A organização não governamental (Ong) Naturae Vitae, de Bauru está acompanhando o caso. De acordo com o advogado da entidade, José Hermann Schroeder, duas irmãs de idade avançada moravam na casa. “Elas pareciam ter amor aos animais e recolhiam gatos da rua”, explica.
No entanto, como ambas ficaram debilitadas, familiares vieram da cidade de Ribas do Rio Pardo, no Mato Grosso do Sul, para buscá-las e proporcionarem a atenção que ambas mereciam.
O advogado explica que a solução para o impasse seria a adoção. Para o participante da Ong, os novos donos não passarão por problemas de adaptação com os animais. “Temos um convênio de castração, o que muda muito os hábitos do felino, o deixando mais calmo. Além disso possuímos biólogas que auxiliam os donos a praticarem técnicas de readaptação que têm obtido sucesso”, afirma Schroeder. Informações pelo telefone (14) 3016-4629.