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Ciência em favor da humanidade


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Entre os dias 16 e 23 deste mês, a população brasileira está sendo convidada para conhecer e, o quanto possível, se encantar com as maravilhas proporcionadas pela ciência. Na condição de professora universitária, ministrei por alguns anos a disciplina “Metodologia da Pesquisa Científica em Comunicação” e participei de várias reuniões anuais promovidas pela SBPC – Sociedade Brasileira para o progresso da Ciência. Foi quando me dei conta que estava completamente envolvida com ela, a Ciência. Não só eu, é claro, mas toda a humanidade. E de que como se falava pouco sobre ciência neste país.

Em contato com outros pesquisadores durante o mestrado, discutíamos intensamente em congressos nacionais a importância da pesquisa no Brasil para o progresso da Ciência. Lutamos contra o corte no orçamento anual em investimentos nesta área, especificamente contra o corte de bolsas para pesquisadores das universidades federais e estaduais, através de intensos relacionamentos e reuniões, algumas em Brasília, outras promovidas na sede da SBPC, em São Paulo, e até mesmo em debate realizado pela Folha de S.Paulo com representantes do governo federal,da USP e suas associações, das quais fui membro por alguns anos.

A SBPC foi fundada em 1948, aos moldes da AAAS - Associação Americana para o Progresso da Ciência - criada nos EUA, há exatamente um século da Sociedade Brasileira, com o objetivo de divulgação pública da ciência e da tecnologia, além de intenso trabalho no Congresso para conscientização e aprovação de leis que visam o desenvolvimento científico e tecnológico, conta-nos outra pesquisadora, doutora Fabíola de Oliveira, em seu livro “Jornalismo Científico”.

A ciência, portanto, nos remete não só às grandes descobertas que passaram a facilitar a vida do homem em sociedade, como ao seu principal objetivo: a busca, incessante, de resolver os problemas da humanidade. Ciência significa conhecimento, como na expressão tomar ciência disto ou daquilo. Em sentido mais amplo, ciência significa um conhecimento que se apreende e registra fatos através da demonstração de suas causas determinantes ou constitutivas (Ruiz, João Álvaro. Metodologia Científica, 1996). Um dos métodos mais eficientes e práticos para se chegar a busca de novos conhecimentos é a comparação. Por estes dias, conversando com um empresário brasileiro do ramo de pedras preciosas que vive há 34 anos no Canadá, ouvi atentamente as suas observações sobre o que há de distinto entre o Brasil e aquele país. As políticas sociais, o regime de governo, o tratamento recebido do Estado a cada cidadão, homem ou mulher que nasce, vota e paga impostos naquele país. E ele chega a seguinte conclusão: como o povo brasileiro é desprotegido pelo governo, como as políticas sociais são parcas perto das necessidades do nosso povo, como urge um plano de governo que favoreça, efetivamente, a educação para que as pessoas sejam tratadas com mais dignidade. Enfim, ouvi um relato de quem viveu, conheceu, refletiu e comparou, produzindo uma nova visão, um novo olhar, sobre o país em que nasceu. E, garanto, aprendi mais um pouco sobre o que é viver neste país.

A autora, Adriana Nigro Cardia , é mestre em Comunicação Corporativa pela USP e professora de Jornalismo e Relações Públicas/ Adriananigro2002@yahoo.com.br

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