Polícia

Crise na unidade da Febem Bauru expõe disputas internas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

As denúncias de maus-tratos e tortura que afastaram há 15 dias o então diretor da unidade de Bauru da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem), Antonio Alfredo Costela Parras, figuram como “comissão de frente” para uma crise cujo bojo é uma disputa interna na instituição.

Embora a queda-de-braços seja negada oficialmente pela Febem, a reportagem apurou que Parras estaria numa das pontas do cabo de guerra. Do outro lado, estaria o atual diretor regional da instituição, Edson Carlos de Toni. Antes de assumir a função, recentemente, Toni dirigia a unidade Três Rios, em Iaras.

Ele e Parras teriam disputado a diretoria regional, sendo que o trabalho do então diretor de Bauru chegou a ser recomendado, em site oficial. Mas um terceiro personagem figura como fiel da balança. Trata-se de Luiz Henrique Righeti, que foi diretor técnico da Febem de São Paulo e se destacou como braço direito da presidente da instituição, Berenice Gianella.

Emprestado da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), Righeti não via a gestão de Parras com bons olhos, segundo apurou o JC. Ele teria sido responsável pela indicação de Toni, que começou na Febem em 2003 como coordenador de equipe.

Depois, quando Toni assumiu a unidade Três Rios, passou a ser o único diretor de unidade do Interior a contar com veículo oficial, segundo as mesmas fontes. Assim que assumiu a Divisão da Região (DR) Sudoeste, Toni afastou Parras. Atualmente, os dois estariam lotados juntos, em Iaras.

Agilidade

O afastamento provisório de Parras foi decidido por Toni um dia após as denúncias de maus-tratos e tortura chegarem à Febem. A agilidade surpreendeu até o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), órgão ligado à Secretaria do Estado da Justiça. Acostumado a apresentar queixas da mesma natureza, o órgão não contava que a iniciativa fosse tomada de imediato.

Na ocasião, atribuíram a rapidez à titular da Secretaria da Justiça, Eunice Aparecida de Jesus Prudente, que procurou a presidente da Febem, na mesma data, para relatar os abusos sustentados por ex-funcionários da instituição e pais de internos. O afastamento, no entanto, contou com a anuência de Righeti, que teria voltado à SAP por questões políticas.

Quando o governador eleito José Serra assumir, no início do ano, é provável que a presidente da Febem, indicada pelo PFL, seja substituída e o controle volte ao PSDB. Atualmente na SAP, foi Righeti quem indicou anteriormente vários diretores oriundos da secretaria. Eles assumiram nos complexos Tatuapé, Vila Maria e Raposo Tavares, por exemplo.

Gianella, no entanto, ressaltou em várias oportunidades que não dirige a instituição para torná-la apenas um órgão de contenção, como uma instituição prisional. Em Bauru, a nova diretora, Juliana Rosa, garante que atenderá os adolescentes de modo personalizado. Ela veio de Iaras, onde trabalhava com Toni.

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Contato

A reportagem solicitou à Febem São Paulo autorização para entrevistar Antonio Alfredo Costela Parras, Edson Carlos de Toni e Luiz Henrique Righeti, mas não obteve resposta. A assessoria de imprensa nega que o afastamento do ex-diretor da unidade de Bauru tenha qualquer relação com disputas internas.

Por interpretarem o embate como “fofoca e intrigas”, não responderam várias questões solicitadas pela reportagem como as referentes à situação de Righeti, suas indicações para as unidades, a nomeação de Toni para a diretoria regional e a utilização de veículo oficial por parte de Toni, por exemplo.

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