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Segundo mandato de Lula será mais desenvolvimentista, diz Mantega

Folhapress
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Rio - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que, sem deixar de lado a responsabilidade com as contas públicas, um eventual segundo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ganhar um caráter mais desenvolvimentista.

“Vamos manter o superávit primário, diminuir a relação dívida/ Produto Interno Bruto (PIB) - portanto a dívida vai ser diminuída -, só que de uma maneira desenvolvimentista, que é diferente da maneira ortodoxa. A maneira ortodoxa vai lá e faz um corte de 3% em cima de cortes que já vêm sendo feitos. Porque são quatro anos que nós fazemos superávit primário, portanto renunciamos a gastos e despesas que poderíamos fazer com aqueles R$ 90 bilhões a cada ano”, disse o ministro.

“A responsabilidade fiscal veio para ficar. Agora, não precisamos aprofundá-la, porque aprofundá-la significa desequilibrar esse modelo desenvolvimentista que combina responsabilidade fiscal com programas sociais e melhoria das condições de vida da população.”

Mantega, que almoçou ontem com intelectuais e acadêmicos como Maria da Conceição Tavares e Luiz Pinguelli Rosa na zona sul do Rio de Janeiro, acrescentou que o governo de Lula já é desenvolvimentista, porém houve um período de transição no qual essa política não ficou clara. “Talvez, em um primeiro momento, isso tenha ficado mais obscuro, porque o governo tinha que enfrentar o problema da inflação. À medida que o governo vem se consolidando, isso vai ficando mais nítido”, comentou.

Mantega criticou ainda o corte de gastos proposto pelo tucano Geraldo Alckmin (PSDB), chamando a medida de “ortodoxa”, e afirmou que isso significaria diminuição de programas sociais. “A prioridade no segundo mandato é o crescimento vigoroso da economia, a geração de empregos, o combate à desigualdade social”, destacou.

PIB

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu ontem pela primeira vez que a economia brasileira pode crescer abaixo de 4% neste ano. Ele comentou que a atividade está avançando mais de 4% no segundo semestre, mas talvez essa expansão não seja suficiente para compensar a desaceleração verificada nos seis primeiros meses de 2006. “Eu digo, afirmo, que a economia está aquecida, e deverá continuar a crescer até o fim do ano. Agora, se vai completar os 4%, por causa daquele desaquecimento do primeiro semestre eu não sei dizer”, afirmou.

Mantega citou dados de crescimento das vendas do comércio e redução da inadimplência para confirmar sua tese, e disse que o segundo semestre impulsionará a expansão de 2007 por meio do “carry over” - segundo os economistas, crescimento inercial herdado de períodos anteriores. Assim, o próximo ano começaria em ritmo acelerado. “Pode ser 3,5%, 4%, eu estou preocupado com que de fato haja aquecimento, e está havendo aquecimento agora. A economia está indo bem”, afirmou.

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