São Paulo - Michael Schumacher deixará hoje a profissão que abraçou definitivamente há 15 anos, mas não o “escritório”. Ex-piloto a partir da bandeirada final do GP Brasil, o alemão deve continuar a ser figura fácil em autódromos no ano que vem. O motivo: exigências feitas por patrocinadores da Ferrari. Marcas que estampam a escuderia há anos estão receosas de perder, de uma hora pra outra, um garoto-propaganda do porte do alemão. E condicionam a continuidade de seus contratos à permanência de Schumacher na escuderia.
O cargo não importa. Para as empresas, tudo o que Schumacher precisa fazer é aparecer em autódromos em finais de semana de F-1, acenar, tirar fotos com convidados, bajular clientes. Enfim, atuar como um relações-públicas de luxo.
Já aconteceu com outros grande pilotos, e o maior exemplo é Jackie Stewart, tricampeão em 69, 71 e 73. Curiosamente, o escocês encerrou a carreira da maneira como Schumacher sonha: conquistou o título no último ano nas pistas. A partir de então, começou a trabalhar como embaixador da Ford e chegou a ter sua própria equipe na categoria entre 97 e 99, a Stewart, com forte aporte da montadora.
Considerado por Schumacher seu grande rival na F-1, Mika Hakkinen é outro que segue caminho semelhante. Após conquistar dois títulos com a McLaren empurrada por motor Mercedes-Benz, o finlandês tornou-se representante da marca alemã, tarefa que o trouxe para Interlagos.
“Sei que em determinado momento o Michael vai sentir saudades das pistas. Quem sabe não voltamos a correr juntos?”, indagou Hakkinen, que após algum tempo apenas como RP retornou às competições, no DTM, o Alemão de Turismo.
Mas talvez nenhum outro piloto tenha encarnado tanto o lema de “surgir-sorrir-sumir” como Niki Lauda. Desde que parou de correr, no início dos 80, Lauda ausentou-se de pouquíssimas corridas. Entre um trabalho e outro, ainda teve duas passagens frustradas como dirigente, primeiro na Ferrari e depois na Jaguar.
Uma experiência que Schumacher refuta neste momento. Questionado sobre a possibilidade de assumir algum cargo diretivo na Ferrari na próxima temporada, ele é direto: “Por enquanto, quero descansar”.
Em Monza, quando ele anunciou a aposentadoria, a Ferrari anunciou que divulgaria o novo organograma e a nova função do alemão em dezembro. Mas, em Interlagos, a imprensa italiana noticiou que o anúncio pode ser antecipado para hoje.