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‘Cidadão Brasileiro’ entra na fase de tortura do período militar

Por Mariana Botta | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

A atual fase da novela das oito da Record está mexendo com a emoção de muita gente, dos telespectadores ao elenco. Ao tratar do período em que o Brasil vivia sob ditadura militar e mostrar cenas de censura e tortura, “Cidadão Brasileiro” traz lembranças que muitos gostariam de esquecer.

“Quando fui gravar a seqüência em que meu personagem era torturado antes de morrer, percebi um clima especial no estúdio. Um dos técnicos estava muito emocionado, e ouvi o diretor cochichar no ouvido dele, pedindo que se segurasse. Era um senhor fortão. Quando me deram um soco no estômago, percebi que ele havia passado por aquilo, pois teve de sair do set”, conta o ator Maurício Machado, intérprete de Henrique, uma das vítimas do regime militar na trama.

Ele também conta que, fora da Record, muitas pessoas vieram falar sobre o personagem. “Elogiam meu trabalho e a composição do personagem. Uma pessoa em um restaurante veio me dizer que a mãe dela chorou ao ver as cenas. Fico até arrepiado quando ouço essas coisas. Tem gente que passou por aquilo e quer falar sobre a época. Acho que ficou muita coisa ruim na memória e que falar é uma maneira de desabafar”, conclui.

Com 34 anos, o ator não viveu durante a época em que o silêncio e a tortura eram a lei. Por isso, recorreu a filmes e livros para encontrar o tom do personagem. “Assisti aos filmes ‘Cabra Cega’, ‘Zuzu Angel’ e ‘O que É Isso Companheiro?’, revi a minissérie ‘Anos Rebeldes’ e li o livro ‘A Ditadura Escancarada’, do Élio Gáspari. Isso tudo me ajudou muito, pois meus pais, imigrantes portugueses, não se engajaram e não viveram a parte mais pesada da ditadura”, conta Machado.

Outra personagem que será morta por conta da violência da ditadura é Eleni (Maytê Piragibe), uma das militantes da guerrilha do Araguaia - ação armada de resistência do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) contra a ditadura militar, que aconteceu na região sul do Pará, entre 1967 e 1975. A história dela promete mexer ainda mais com as pessoas, já que cerca da metade dos desaparecidos políticos de que se tem notícia foram seqüestrados e mortos durante a guerrilha.

Além disso, a personagem foi inspirada em uma militante real, amiga do autor Lauro César Muniz, que desapareceu. “Era a Eleni Guariba, uma diretora de teatro que participou da luta armada. Nunca mais tive notícias dela”, conta o novelista, que decidiu abordar o tema para que não fosse esquecido. “Achei que a época da ditadura estava ficando para trás. As pessoas têm de conhecer a história para evitar que ela se repita.”

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