Além dos perigos que se desmancham no ar (na forma de gases poluentes), o aumento no número de carros, motos, ônibus e caminhões circulando pela cidade traz riscos bastante “sólidos” à população. Prova disso são as estatísticas da Polícia Militar (PM) sobre o trânsito de Bauru nos últimos anos.
Entre janeiro de 2004 e setembro de 2006 foram registrados 39.092 acidentes nas ruas da cidade, dos quais 5.226 envolveram motocicletas. A quantidade de vítimas contabilizadas no período também é grande: 6.914, das quais 65 foram fatais. Por si só tais dados já são preocupantes, mas quando é feita a comparação ano a ano, o problema ganha proporções ainda mais trágicas.
Em 2004, época em que Bauru contava com 129.969 carros, motos, ônibus e caminhões, foram registrados 13.948 acidentes e 2.236 vítimas, das quais 2.192 eram leves, 19 graves e 25 fatais.
Por coincidência ou não, em 2005 - ano em que a cidade passou a contar com 137.054 veículos - as estatísticas dos desastres de trânsito apresentam evolução semelhante ao tamanho da frota. As quantidades de acidentes e de vítimas cresceram, passando para 14.867 e 2.813, respectivamente.
O único índice que apresentou queda (bem pequena, por sinal) foi o de mortos, totalizando 22 baixas nos 12 meses considerados. Em contrapartida, o número de vítimas graves teve aumento vertiginoso, saltando para 213 (quase 12 vezes mais).
Apesar de ainda não ter chegado ao fim, 2006 já apresenta dados para lá de assustadores. De janeiro a setembro deste ano, 1.865 pessoas sofreram algum tipo de ferimento (184 graves, 18 fatais) nos 10.277 acidentes de trânsito ocorridos em Bauru.
Para a PM, as estatísticas são preocupantes. “Pelo porte da cidade, a situação é bastante grave”, acredita Aparecido Bento, que é sargento da Base de Policiamento de Trânsito de Bauru. Na visão dele, diversas causas explicam o crescimento do número de acidentes na cidade. “Varia de lugar para lugar. Em alguns casos pode ser a sinalização que é ruim ou insuficiente”, explica.
Esse seria a causa, por exemplo, para a avenida Castelo Branco (zona oeste de Bauru) estar entre as mais perigosas da cidade. “Além do local contar com um grande fluxo de veículos, os cruzamentos não possuem semáforos”, diz Bento.
Presença de sinalização não é, contudo, plena garantia de segurança aos motoristas e pedestres. Entre os locais que apresentam maiores índices de ocorrência de acidentes estão avenidas bem sinalizadas, como Duque de Caxias, Rodrigues Alves e Nações Unidas, onde existem, inclusive, radares para controle de velocidade.
“O problema é que muitas pessoas não respeitam regras básicas de trânsito: atravessam no farol vermelho, cortam preferencial, deixam de observar a distância mínima de segurança entre dois veículos, e assim por diante”, afirma Bento.
Motoristas que trafegam pelas ruas da cidade conhecem bem a realidade sobre a qual fala o sargento. Wagner Gomes dos Santos tem 33 anos e vive em Bauru desde 1997. “O trânsito aqui é complicado”, afirma. Santos nasceu e aprendeu a dirigir em São Paulo é natural, portanto, que na hora de avaliar o trânsito de Bauru ele o faça tomando sua terra natal como parâmetro.
“Acho que por aqui ser uma cidade menor, os motoristas respeitam menos as regras de direção. Quer dizer, muita gente não dá seta, pára em fila dupla, fecha cruzamento”, diz ele, que considera satisfatória a sinalização existente nas vias públicas da cidade.
“A fiscalização também é boa. Para que os acidentes diminuam bastaria melhorar a pavimentação das ruas e que as pessoas obedecessem mais as leis de trânsito”, acredita.
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Consciência
Para que cidade tenha um trânsito mais seguro não basta que as ruas tenham boa sinalização. A Polícia Militar (PM) percebeu isso há tempos, tanto que vem investindo em diversas iniciativas para conscientização dos motoristas e pedestres.
Os programas são feitos em parceiras com escolas, universidades e empresas, e consistem basicamente em palestras sobre a legislação e regras de trânsito. Cada ação é adaptada ao um público específico.
“Varia muito”, diz o sargento Aparecido Bento, da Base de Policiamento de Trânsito de Bauru. “Às vezes, é a direção de uma firma que nos procura em busca de orientação para os motoristas que trabalham lá. Em outras, são os coordenadores de escolas querendo que a gente fale para os alunos, e assim por diante”, completa.
No semestre passado, por exemplo, alunos da Universidade do Sagrado Coração (USC) aplicaram testes do bafômetro em freqüentadores de bares da cidade. Se a pessoa havia ingerido quantidades pequenas de álcool, recebia um adesivo verde, indicando que apresentava condições de dirigir. Já os que haviam bebido demais recebiam um símbolo vermelho, apontando necessidade de carona no retorno para casa.