“Meu dente estava bem ‘molinho’ e um dia, enquanto brincava, ele caiu. Não doeu, mas é um pouco difícil para comer porque fica uma ‘janelinha’ no lugar do dente. Ganhei uma agenda quando um deles caiu e guardei os que caíram em um potinho. Lá dentro tem 18 dentinhos, meus e da minha irmã”, diz Thaysa Villanova, 7 anos, sobre sua experiência em trocar os dentes de leite pelos permanentes.
Assim como a garota, que é aluna da 1.ª série do ensino fundamental da Escola Professora Mercedes Paes Bueno, todas as crianças passam por situação parecida e têm uma boa história para contar sobre a fase em que se tornam banguelinhas.
Gustavo Henrique Miranda Scriptore, 7 anos e também estudante da 1.ª série do Mercedes, perdeu seu primeiro dente de leite no ano passado. Há pouco tempo, ficou banguelinha de novo. “Na hora que cai o dente, sangra um pouco, mas não dói nada”, diz ele, que guarda seus dentinhos no porta-jóias da mãe.
Gustavo gostou da experiência e revela que se sentiu “mais velho” quando ganhou dentes permanentes. O mesmo ocorreu com seu colega de sala Thiago Macario de Freitas, 7 anos. “Meu tio tirou meu dente, que estava quase caindo, com um barbante. Parece que fiquei “menos criança’. Achei legal”, conta.
Já Carolina Machado Parenquini, 7 anos, da 1.ª série do Mercedes, acha chato ficar sem dentes. “Agora tenho duas ‘janelinhas’ na boca. Não deixo de dar risada, mas quero que os permanentes cresçam logo.” Ela, que tem sete dentes de leite guardados em uma pequena caixa, conta uma história engraçada sobre a fase banguela. “Eu é que tiro meus dentes. Quando estão ‘molinhos’, fico balançando com minha mão até eles caírem. Mas uma vez, um dente caiu de ‘surpresa’, quando fui dar um beijo no meu priminho.”
Foi sem querer que as amigas Camila Oliveira Pinheiro e Júlia Figueiredo Brito, ambas com 5 anos e estudantes do Pré 2 do Colégio Fênix, perderam seus dentes de leite. “Estava escovando e um dente da frente caiu. O outro caiu quando eu estava comendo”, conta Camila, que colocou os dentes embaixo do travesseiro. “A fada do dente foi buscar meus dentinhos”, acrescenta. “Meu pai foi tentar tirar um dente com fio dental e saiu. O outro dente caiu quando fui morder um pão de queijo. Quase comi o dente”, diz Júlia, que também entrega seus dentes para uma fada.
Os colegas de sala de Júlia e Camila, Matheus Batista Levorato, 6 anos, e Luiz Fernando Merli Sementilhe, 5 anos, contam que não se importam e até gostam de ficar “banguelinhas”. “Nossos amigos da sala também ficam sem dente”, diz Luiz Fernando. Matheus concorda e conta que deu os dentes de leite de presente para a mãe e a avó.
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Fada do dente
Muitas vezes, o nascimento dos primeiros dentes permanentes vem acompanhado de diversão, fantasia ou pequenos “rituais” pelas crianças, como jogar o dente no telhado para dar sorte. Foi o que Leonardo Macedo da Cruz, 9 anos, e Gabriel Gomes Vitório, 7 anos, da 1.ª e 2.ª série do Mercedes, fizeram. “Joguei meu dente no telhado e na mesma hora uma moeda de R$ 0,25 caiu lá de cima para mim”, diz. Maria Clara Cassola Tonin, 6 anos, do Fênix, também jogou os dentes no telhado.
Quando perde um dentinho, Kathleen Prudente Francisco Chaves, 8 anos, da 1.ª série, reza e pede proteção a uma santa. “Tenho seis dentes, alguns são do meu irmão, que estão guardados perto da santinha. Peço para ela cuidar dos dentes e também de mim e da minha família.”
Já Laura do Nero Fernandes da Costa, 7 anos, da 1.ª série, pediu para a mãe fazer um colar com seus dentes de leite. “Já tem sete deles no colar, mas logo ele terá mais dentinhos”, diz.
O aluno da 1.ª série do Mercedes Braian Vitório Trindade coloca seu dente de leite embaixo do travesseiro e espera que uma fada venha buscá-lo. “A ‘fada do dente’ sempre me traz alguma coisa. Uma vez ganhei R$ 1,00 e balinhas”, diz. Giovana Cury Segalla, 5 anos, do Fênix, fez a mesma coisa. “Ganhei de presentes uma pasta e escova de dentes, meias e revistinhas”, diz.
Marcus Vinicius Souza da Silva, 7 anos, do Mercedes, também ganhou presentes em troca dos seus dentes. “Deixei embaixo do travesseiro e encontrei R$ 50,00 lá”, conta. O garoto tira seus dentinhos de leite e faz questão de dar um destino próprio para cada um deles. “Além do travesseiro, já joguei um dente no buraco da pia. Outra vez guardei um dente no meu quarto, mas o mais legal foi quando joguei no telhado. Às vezes meu pai o encontra, mas peço para que ele deixe meu dente lá”, diz, ressaltando que já planeja fazer algo diferente quando ganhar mais uma “janelinha” na boca.