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Matéria da capa: Homens não choram ‘via lágrimas’, avaliam psicólogas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Independente dos motivos, chorar é mais comum entre as mulheres, aponta Maria Ivone Marchi Costa, psicóloga clínica e professora da Universidade do Sagrado Coração (USC). Isto se deve a questões educacionais, explica. “Na cultura brasileira, homem que chora é, muitas vezes, sinônimo de homem frágil”, diz.

A autora do livro “Dirija sua vida sem medo”, a psicóloga clínica Olga Tessari, concorda com Maria Ivone. “Às mulheres é permitido expressar sentimentos, falar o que está sentido, chorar e gritar. Já o homem, devido à questão machista, tem que se manter sereno, calmo e aparentar não ter sofrimento nenhum. Tem que ser forte e não pode externar os sentimentos”, detalha.

Esta diferença em relação à expressão das emoções começa, muitas vezes, na educação entre meninos e meninas. Segundo Olga, desde pequenos, os garotos foram ensinados a serem valentes e resolverem tudo. “Quando o filho está chorando, por exemplo, o pai diz para ele parar porque menino não chora. Então ele vai aprendendo a conter seus sentimentos.”

De acordo com Olga, os homens se emocionam tanto quanto as mulheres, mas demonstram seus sentimentos de forma diferente. Robson Luiz Pelegrini, 42 anos, e Antônio Umbelino da Silva, 60 anos, ambos comerciantes, dizem que chorar faz bem porque ajuda a aliviar tensões e expressar os sentimentos.

Apesar disto, revelam que derramar lágrimas não é um comportamento freqüente para eles. “Por meio do choro, se desabafa muita coisa, mas não faço isto com facilidade”, diz Antônio. “Para mim, é muito difícil chorar”, conta Robson.

Há casos ainda em que os homens fazem uso da agressividade para extravasar de forma positiva ou negativa suas emoções, aponta Olga. “Jogando bola ou praticando outros esportes, quando também brigando ou xingando no trânsito, eles liberam um pouco a tensão, diferente da mulher, que pode expressar seus sentimentos chorando, por exemplo.”

Maria Ivone cita outras vias de expressão mais comuns entre os homens. “Eles passam a trabalhar em excesso, podem se deprimir, fazer uso de drogas, ficar nervoso ou rezar muito, cada um escolhe um caminho.”

Outra forma de expressão dos sentimentos é a somatização ou o “choro pelo corpo”, mais freqüente no caso deles, destaca Maria Ivone. São as defesas cronificadas, explica. “Como reprimem muito as emoções, se os homens têm predisposição, podem ter problemas de pele, complicações gástricas, enxaquecas ou até mesmo doenças mais graves”, aponta.

O “choro saudável” representa a expressão da emoção de forma genuína e verdadeira. Ele pode se tornar negativo quando as lágrimas paralisam ou bloqueiam os sentimentos ou servem de chantagem emocional, reforça Maria Ivone.

Segundo ela, tanto para homens quanto para mulheres, a forma mais adequada para expressar emoções é a comunicação verbal, independente da situação. Seja na escola ou no trabalho, explica, é importante observar se o choro não está servindo como ‘”muleta’”. “Há dias nos quais a pessoa chora porque está mais sensível ou não está bem, mas não é adequado se isto se tornar padrão de comportamento.”

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