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Entrevista da semana: ‘Não tive medo de enfrentar desafios’

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 9 min

Ele anda pela empresa com passos calmos, cumprimentando a todos e sempre pronto a abrir um sorriso. Seu lema nos negócios é servir e atender cada cliente como se fosse único. Para ele, trabalhar é um prazer, mas faz questão de colocar o limite de suas seis horas diárias dentro da empresa para não deixar de lado a vida pessoal e o convívio familiar.

Essas são algumas das características de um dos empresários - que também é pai e avô - de maior sucesso em Bauru, Nelson Paschoalotto, presidente do Grupo NP, especializado em cobranças judiciais e atendimento telefônico aos mais de 100 clientes da empresa. Protagonista de uma história de grande sucesso empresarial, ele conta que não pensava em ter seu próprio negócio quando começou a trabalhar, primeiro como contador, depois como advogado após se formar em direito em 1990. “Já sonhei com muitas coisas, mas não em ter um negócio próprio. Eu pensava em crescer profissionalmente”.

Com o talento de administrador e uma disposição invejável para trabalhar e atender as pessoas, o homem de origem humilde que morou com a família em um sítio até os 15 anos atualmente comanda 2,2 mil funcionários na matriz da empresa e em mais 17 filiais espalhadas por 13 Estados. Diariamente, a empresa faz de 70 mil a 80 mil ligações telefônicas a clientes. O atual prédio de cinco andares do Grupo NP, cujo investimento financeiro não é revelado, foi inaugurado em maio deste ano. A capacidade é para acomodar até 3 mil funcionários.

Durante a entrevista concedida à reportagem, a porta da sala do homem que faz questão de atender a todos permaneceu aberta. Afinal, a qualquer momento alguém poderia precisar dele. Leia a seguir os principais trechos.

Jornal da Cidade - Qual é a sua formação acadêmica?

Nelson Paschoalotto - Eu comecei fazendo o curso de ciências contábeis em Votuporanga. Me formei em 1977. Depois, para complementar essa formação, fiz o curso de administração de empresas. Quando me mudei para Bauru, em 1986, fiz direito na ITE. Me formei em 1990. No caso do direito, eu fiz questão de cursar porque sempre gostei da área e vi essa oportunidade (de fazer a faculdade) quando mudei para Bauru.

JC - Qual foi o motivo da sua mudança a Bauru?

Paschoalotto - Eu vim para trabalhar. Vim como contador de uma empresa.

JC - Na época, o senhor já tinha o desejo de ter seu próprio negócio?

Paschoalotto - Não, eu nem pensava nisso. Aliás, nem penso muito até hoje (risos). Isso foi surgindo naturalmente, eu fui aproveitando as oportunidades que tive enquanto trabalhava. Mas nunca foi nada programado. Já sonhei com muitas coisas, mas não em ter um negócio próprio. Eu pensava em crescer profissionalmente, em ser alguém, mas não em abrir uma empresa.

JC - Se não era uma meta perseguida, como as coisas foram se direcionando para isso?

Paschoalotto - Primeiro, fui aproveitando as oportunidades que apareciam. Depois, me cerquei de pessoas comprometidas, capacitadas, que pudessem corresponder aos trabalhos que o escritório (de advocacia) se comprometesse a receber. As coisas aconteceram de forma muito natural. Fui me destacando no meu trabalho e a demanda pelos meus serviços foi crescendo. Sem medo de enfrentar esses desafios, fui agregando cada vez mais clientes e trabalho. Até que, hoje, estamos entre as principais empresas do segmento.

JC - Em que ano o senhor fundou a Paschoalotto?

Paschoalotto - Em 1998. Antes disso, era um escritório de advocacia pequeno, que eu tinha junto com mais dois advogados. Em 1998, nós começamos a trabalhar como empresa de cobrança. Hoje a empresa não é só de cobrança, nós também fazemos todo o serviço ligado à telefonia, atendimento ao cliente e setor jurídico também.

JC - Atualmente, quantos clientes a empresa atende?

Paschoalotto - Ao todo são mais de 100 clientes, sendo 25 somente do setor financeiro, além de empresas de outros ramos e condomínios. Através dessas instituições financeiras, atendemos cerca de 3 milhões de pessoas. Além da sede de Bauru, temos 17 filiais em 13 Estados. Hoje nós temos aproximadamente 2,2 mil funcionários entre advogados associados (mais de 100), estagiários (mais de 150), menores aprendizes, legionárias mirins e funcionários de outros setores.

JC - A empresa teve um grande crescimento num curto espaço de tempo. Há algum segredo para esse sucesso empresarial?

Paschoalotto - Acho que o segredo é servir. Quando a gente contrata alguém para prestar um serviço, queremos servir. Existem, inclusive, alguns lemas antigos que acabam traduzindo a realidade como, por exemplo, servir bem para servir sempre. Atender bem não envolve somente os clientes externos, como também os clientes internos, que é como chamamos nossos funcionários. Ou seja, temos que vender a nossa idéia, porque quem vende serviço vende uma idéia. Primeiro, os clientes internos têm que absorver essa idéia para que depois ela seja absorvida pelos clientes externos. Temos também que atender a todos, sem distinção. Quando o cliente entra aqui, é como se fosse o único, independentemente do tamanho do cliente.

JC - Qual é o seu principal objetivo nos negócios?

Paschoalotto - Eu me preocupo em deixar a empresa de tal forma organizada e bem estruturada que possa permitir um crescimento não só de agregação de valores, como também o crescimento profissional das pessoas que estão aqui e do quadro de funcionários. Nosso cliente interno é o nosso capital. Eu não tenho a empresa como patrimônio, nunca tive. Patrimônio é uma casa, um sítio, uma fazenda. Mas para mim, a empresa é um emprego. Tanto que eu evito faltar e quando não estou aqui, fico constrangido, é como se eu não estivesse cumprindo com o meu trabalho. Não gosto de chegar atrasado.

JC - E o senhor trabalha muitas horas por dia?

Paschoalotto - Não. Eu trabalho seis horas por dia. É claro que, quando necessário, fico aqui até qualquer hora. Mas acho que é importante ter um limite de tempo para ficar no trabalho. Gosto muito de trabalhar, mas não sou workaholic. Para mim, é um prazer trabalhar e eu poderia ficar aqui a noite toda, mas acho importante ter um equilíbrio para poder cuidar bem da vida pessoal.

JC - O que o senhor gosta de fazer nas horas livres, fora do trabalho?

Paschoalotto - Gosto de ficar com a família, com os amigos, passar algum tempo no sítio descansando um pouco... Eu não gosto de ficar longe do trabalho, mas acho fundamental separar a vida profissional da vida pessoal. Eu demorei muito tempo para entender a empresa, saber para onde ela deveria caminhar. Hoje eu entendo de tudo o que nós fazemos para avaliar como a empresa está se comportando no mercado. Como advogado, eu gosto de saber como está sendo conduzido um processo, se ele está sendo conduzido como eu conduziria, por exemplo. Não posso me desligar nunca, mas também não esqueço da família.

JC - O senhor tem filhos?

Paschoalotto - Sim, tenho dois. O Rodrigo, de 31 anos, e a Vanessa, de 28. Ela é psicóloga e ele trabalha aqui comigo. É o vice-presidente da empresa. Tenho netos também.

JC - E para os funcionários entenderem tudo o que o senhor quer passar aos clientes, a empresa desenvolve algum treinamento específico?

Paschoalotto - Sim, nós investimos muito em treinamento. Temos um cuidado especial com isso. Hoje, para entrar na empresa, as pessoas passam por um curso preparatório de desenvolvimento de habilidades pessoais e profissionais, após serem aprovadas numa pré-seleção. Somente após passar por esse curso é que o funcionário é contratado ou não. O foco é ensinar sobre ética, transparência, bom atendimento, espírito de servir e até aulas de português, matemática financeira, informática e outros treinamentos específicos, de acordo com a função. Então, a pessoa já entra sabendo o que a empresa espera dela. Não podemos misturar os problemas pessoais com o nosso trabalho, porque os clientes não são culpados se um dia você acorda de mau humor, cansado ou se está cheio de problemas.

JC - Quando a escola preparatória da empresa foi implantada?

Paschoalotto - Em junho deste ano. Já estamos na quarta turma que passou por ela. Nessa última turma, foram formados mais de 80 alunos.

JC - A empresa tem um número muito grande de funcionários. Como é o seu relacionamento com eles e a política de RH?

Paschoalotto - A empresa toda tem regras. A cada seis meses nós fazemos avaliações de desempenho dos funcionários. Para qualquer mudança de função, é feita uma avaliação completa para que a pessoa ocupe um cargo em que tenha mais chances de se sair bem. Além disso, temos um banco de talentos, manual de ética, manual interno de procedimentos, estatuto social, enfim, tudo é muito bem organizado para que o trabalho também seja organizado e produtivo. Nós também oferecemos diversos programas de desenvolvimento pessoal e profissional, campanhas motivacionais, atividades de relaxamento e prevenção a doenças ocupacionais, entre outras atividades. Nosso grande diferencial são as pessoas.

JC - A estrutura moderna do prédio foi pensada também no bem-estar dos funcionários?

Paschoalotto - Sim, nós temos sala de leitura, local para descanso, uma área onde as pessoas podem fazer suas refeições. A área total do prédio, que tem cinco andares, é de 18 mil metros quadrados, sendo 9 mil metros de área construída. Temos também um circuito interno de TV (com 25 aparelhos) que transmite informações úteis para cada setor e agenda cultural da cidade.

JC - A área de descanso tem um local específico?

Paschoalotto - Tem. Fica em outro prédio aqui perto, onde funcionava a antiga hospedaria do Centrinho. Montamos uma estrutura completa com 13 chalés para os funcionários descansarem. O prédio é conhecido como área de descompressão. Além dos chalés, lá nós temos quiosques, auditório, ambulatório médico, consultório odontológico, clínica de fisioterapia, restaurante e, futuramente, pretendemos fazer uma brinquedoteca ou até mesmo uma creche para abrigar filhos de funcionárias com idade de zero a 6 anos. Para 2007 ou 2008 eu também pretendo criar a Universidade Corporativa. O objetivo é oferecer cursos pela metade do preço em relação aos oferecidos por instituições tradicionais. É uma forma de dar mais oportunidades de estudo aos funcionários, já que eles poderiam trabalhar e estudar aqui mesmo.

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Perfil

• Nome completo: Nelson Paschoalotto

• Idade: 54 anos

• Local de nascimento: Guapiaçu (SP)

• Nome da esposa: Ivone Paschoalotto

• Nomes dos filhos: Vanessa e Rodrigo

• Hobbies: Assistir TV

• Livro preferido: não tem

• Time do coração: Santos

• Para quem daria nota 10: Clientes internos do Grupo NP

• Para quem daria nota 0: Carga tributária

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