Bariri - Ao contrário da maioria das cidades que cedem espaços para a instalação de novas empresas, a prefeitura de Bariri (a 56 quilômetros de Bauru) pretende comercializar os lotes do novo pólo ambiental. A medida é preventiva, alerta Herberto Tavares de Lima, diretor municipal de Desenvolvimento e Turismo.
Segundo ele, no passado, a prefeitura doou terrenos para empresas e isso gerou uma série de problemas que até hoje estão sendo resolvidos na Justiça. “A doação foi feita para as empresas se instalarem em um pólo industrial. Algumas doações foram feitas usando critérios políticos, de amizade”, diz.
O resultado é que os terrenos não foram regularizados. As empresas deveriam registrá-los em seus nomes e construir. “Alguns não fizeram isso, porque haviam empresas fantasmas e, ao longo do tempo, não houve correção. As pessoas receberam a doação e só queriam fazer dinheiro”, enfatiza Lima.
De acordo com o diretor, foram registrados quatro casos. “Desde o início desta administração, em 2001, detectamos esse número de casos que geraram problemas jurídicos. Desde então, estamos tentando retomar os terrenos. Existem três processos em curso na Justiça”, informa.
A área escolhida pela prefeitura para a instalação do pólo ecológico estava em litígio até o mês passado. “A área total foi dividida entre dois bancos. O Banco Itaú ficou com 80 mil metros quadrados e a Nossa Caixa Nosso Banco com a outra metade”, explica.
No mês passado, a Nossa Caixa arrestou o bem em juízo pelo valor de R$ 147 mil. ”Mas antes de comprá-lo vamos fazer uma consulta prévia na Cetesb e no DPRN para ver se ele poderá ter a destinação que pretendemos”, garante o diretor.
A aprovação dos dois órgãos vai avalizar a compra. “O que não queremos é desapropriar a área e depois que estiver pago perceber que tem problemas com Cetesb ou DPRN. Vamos montar o processo antecipadamente. Se a Cetesb, por exemplo, não aprovar o projeto, não vamos adquiri-la”, garante Lima.
A área já foi declarada, no início do ano, de utilidade pública pela prefeitura. “Ou seja, a prefeitura tem prioridade de compra. A área estando liberada pela Nossa Caixa nós vamos entrar com o processo na Cetesb, DPRN e posteriormente faremos a compra”, explica.
O diretor frisa que a criação do pólo ainda está caminhando. “O pessoal da Secretaria do Meio Ambiente vai estudar alguns itens que queremos agregar às empresas que se instalarem no pólo ecológico, como a criação de um selo para os produtos fabricados no local”, planeja Lima.
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Lição de casa
O empresário do segmento moveleiro Paulo Ciconelli já faz a lição de casa para o bem do meio ambiente de Bariri. Instalada na cidade desde o ano 2000, sua empresa faz estruturas metálicas para móveis de escritórios e usa substâncias químicas.
Para não poluir a água, implantou um sistema de despoluição do líquido. “O sistema foi implantado após o início do processo de cromagem. Usamos a água para fazer a limpeza das peças e isso gera muitos efluentes que não são bons para a natureza”, explica.
A empresa e uma parceira investiram no tratamento. “A adoção desse processo possibilitou a devolução da água isenta de produtos químicos, é não potável mas aceita pela Cetesb. A água retorna isenta de produtos químicos.”
A empresa que veio de São Paulo quer ganhar espaço no mercado nacional e internacional e acredita que está fazendo sua parte em favor da natureza. “Viemos para cá por conta da empresa que fabrica os assentos, nossa parceira. O mercado nacional está bom e uma parceria fechada com uma empresa italiana abriu novos horizontes”, diz.
Ciconelli, que é sócio do pai, Lindolfo Ciconelli, lembra que em seis anos o número de funcionários pulou de quatro para 120. “Já ampliamos a nossa infra-estrutura, mas não podemos esquecer da preservação do meio ambiente”, defende.