Internacional

Bush quer mudar tática no Iraque

Folhapress
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Washington - A menos de um mês da eleição parlamentar norte-americana e finalmente assumindo que o Iraque vive um estado próximo a uma guerra civil, o presidente americano George W. Bush decidiu consultar os principais generais americanos para ver se há necessidade de “uma mudança de tática”. Na prática, quer dizer que o presidente deve pedir essa mudança já.

“As últimas semanas têm sido duras para nossas tropas e para o povo iraquiano”, afirmou Bush ontem cedo em seu programa semanal de rádio, antes de uma teleconferência, à tarde, com os comandantes das forças americanas no Iraque e no Oriente Médio.

Apenas nas três primeiras semanas de outubro, 75 soldados americanos morreram, o maior índice mensal dos últimos dois anos. O descontentamento do eleitor americano com o caos no Iraque é uma das grandes ameaças ao governo Bush.

Parlamentes republicanos, com medo de não se reelegerem, pressionam o governo para mostrar resultados já.

O porta-voz militar americano em Bagdá, general William Caldwell, disse que uma tática implementada há dois meses fracassou para interromper a onda de violência e que os planos de segurança estavam sob revisão. “A violência é de fato desanimadora’’, disse.

Violência xiita

Militantes armados fiéis ao clérigo radical xiita Muqtada al Sadr enfrentaram ontem novamente a polícia iraquiana, perto de Bagdá, um dia após centenas de milicianos atacarem postos policiais e praticamente derrotarem as forças iraquianas no controle de uma cidade de 250 mil habitantes.

A violência em uma região xiita rica em petróleo está colocando à prova a habilidade do governo iraquiano, liderado por xiitas, de controlar a ação de milícias e de outros grupos armados acusados de fomentar a violência sectária que deixou o país em estado de guerra civil.

Sob pressão americana, o premiê Nuri al Maliki, há apenas cinco meses no cargo, tem prometido combater as milícias. Mas ele é politicamente dependente de partidos que têm laços com elas.

Um grupo de estudo sobre o Iraque, formado por republicanos e democratas e liderado pelo ex-secretário de Estado James Baker, deve recomendar novas estratégias ao governo no mês que vem - entre elas estariam a divisão do Iraque e o anúncio da retirada escalonada das tropas americanas.

Para alguns analistas, isso obrigaria os iraquianos a colocarem as diferenças religiosas de lado e negociar um acordo interno de divisão do poder.

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