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Alckmin promete ‘reestatizar’ empresas

Por José Alberto Bombig | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Após ter admitido um erro ao ter “embarcado” na discussão proposta pelo PT das privatizações tucanas, Geraldo Alckmin disse ontem que, se eleito, irá “reestatizar” empresas “privatizadas” pelo partido. “Eu pretendo reestatizar as empresas estatais federais porque elas foram privatizadas pelo PT”, afirmou o tucano, referindo-se ao que chamou de “aparelhamento” do Estado por parte do governo Lula.

Apesar do ataque, o candidato do PSDB novamente ficou na defensiva no tema das privatizações feitas pela gestão tucana em São Paulo (1995-2006) e aquelas realizadas no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

No início do segundo turno, petistas afirmaram que, se Alckmin vencer, irá vender ativos públicos. “Não posso imaginar que alguém que é presidente da República não tenha nenhum compromisso com a verdade”, disse o tucano, ao afirmar que Lula foi um dos difusores do que chamou de “mentiras do PT”.

O tucano insistiu no corte de despesas como sua principal bandeira de campanha na área econômica e procurou delimitar as diferenças entre seu governo em São Paulo com o de Lula no âmbito federal. “São Paulo teve ajuste fiscal extremamente bem-sucedido (...). O caminho do PT é aumentar gasto corrente, aumentar imposto, cortar investimento, juros altos, câmbio fora do ponto de equilíbrio, e o país não cresce”, disse o candidato.

No entanto, ao ser questionado sobre o alvo dos cortes e o período que ele, se eleito, levaria para enxugar a máquina, Alckmin foi impreciso: “Minha meta qual é? O Brasil cresce, mas os gastos correntes não crescem”, disse. Na reta final da campanha, Alckmin tem programada pelo menos uma grande atividade de rua em São Paulo. Sua campanha deverá realizar um comício na praça da Sé, no centro da Capital paulista. Hoje, o candidato tucano é aguardado em almoço organizado por empresários, também em São Paulo.

Comando da corrupção

Alckmin deu ontem, pela primeira vez, sinais de que seu partido, caso ele seja derrotado domingo que vem, não abandonará o tom áspero das cobranças de esclarecimentos no caso do dossiê feitas até agora por sua campanha.

No programa “Roda Viva” (TV Cultura), questionado sobre um suposto “terceiro turno” das eleições se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer, Alckmin respondeu: “O que o PT não pode exigir da oposição é impunidade. Querer que a oposição seja conivente com a impunidade não pode”.

A declaração contraria os interesses dos coordenadores da campanha de Lula neste segundo turno e também de parte da oposição. Ambos pregam um “diálogo” ou uma “concertação” pela governabilidade caso o presidente seja reeleito, o que implicaria um abrandamento dos ânimos no caso das investigações quanto à origem do dinheiro que seria utilizado por ex-petistas na compra de um dossiê contra tucanos.

Após a gravação do programa, Alckmin evitou comentar uma possível vitória de Lula, como indicam as pesquisas, mas disse que “quem ganha governa, quem perde fiscaliza”. Segundo ele, se vencer a eleição domingo, o PSDB não contará com a ajuda do PT, pedirá apenas uma “oposição madura”.

Na entrevista ao “Roda Viva”, gravada na tarde de ontem, o tucano acusou o Palácio do Planalto de comandar a corrupção no País. O chefe-de-gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, é o mais recente personagem do escândalo do dossiê. “É um governo em que a corrupção acontece comandada dentro do Palácio do Planalto e ninguém (na Presidência) vê. Nem a velhinha de Taubaté acredita nisso”, afirmou.

O tucano também incluiu em sua pauta de campanha a investigação do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Ministério Público, revelada pela revista “Veja”, que aponta um superfaturamento em obras federais no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Em seguida, ele comentou uma entrevista de Lula na qual o presidente teria dito que o governo foi “grosseiro” com o caseiro Francenildo Costa, que teve seu sigilo bancário violado no escândalo que culminou com a demissão do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci.

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