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Governo vai liberar recursos do FAT

Folhapress
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São Paulo - A menos de uma semana da eleição, o governo disse ontem que vai liberar mais recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para ajudar os setores que estão perdendo mercado e empregos devido à concorrência externa.

Ontem, depois de reunião com representantes dos trabalhadores e empresários do setor calçadista, em São Paulo, o ministro Guido Mantega (Fazenda) disse que anunciaria ainda nesta semana linha de crédito para capital de giro para o setor, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O ministro não disse de quanto seria a linha, que terá os mesmos moldes - ou poderá ser uma extensão - de um programa que já existe e que já destinou R$ 1,2 bilhão a empresas dos setores calçadista, de móveis e têxtil da região Sul do País. O BNDES também tem uma linha, de R$ 600 milhões (que abrange todo o País), para esses setores, mas Mantega disse que “ela não funcionou”.

Segundo os produtores, houve dificuldades para acessar os recursos por conta das exigências de documentação do Banco do Brasil, a instituição que faz o papel de intermediário financeiro entre o BNDES e as empresas. A linha de crédito criada agora, disse Mantega, “deve funcionar” porque terá as mesmas características da linha que foi lançada no Sul, que, segundo ele, já liberou R$ 1,2 bilhões para produtores em dificuldades. “Ainda nesta semana vamos anunciar a linha de capital de giro”, disse ele.

Os setores de calçados, de móveis e têxtil são os que mais têm sofrido com a concorrência de importados, principalmente da China, devido à valorização da moeda brasileira. Na reunião de ontem, além de anunciar a liberação de mais recursos para financiá-los, ficou definida a formação de um grupo de estudos, com membros dos setores, da Fazenda, da Receita Federal e do Ministério do Desenvolvimento.

O grupo, disse Mantega, vai estudar os problemas do setor e propor medidas para impedir a perda de mercado e reverter a queda de emprego que as cadeias de produção dos três setores têm registrado. Mantega disse que os problemas não se resumem ao câmbio. O ministro avalia que o câmbio apenas mascarava outras deficiências, como estrutura tributária, infra-estrutura e financiamento. “Quando você perdeu a vantagem do câmbio, se tornaram mais nítidas as outras desvantagens que você tem (em relação aos produtores de outros países).”

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