A Comunidade de Tibiriçá vem a público, através do presente espaço, para dirigir-se até os nossos amigos e simpatizantes, os quais sempre nos prestigiaram, para lhes comunicar com muita tristeza que a nossa agremiação esportiva que defende o nosso patrimônio teve seus brios duramente feridos, conforme truculência contra nós praticada, através de ato administrativo proporcionado pelo “dono da Liga Regional de Bauru”, o qual nos baniu da disputa, bem como do quadro das equipes filiadas à referida Liga Regional de Bauru. Diante dos expostos, fazia-se necessário vir a público para esclarecer, a bem da verdade, bem como desmascarar o “dono da liga”, para que pensamentos outros não continuem a nortear as idéias de alguns e a denegrir a já tão sofrida população tibiriçaense.
Entendemos que atos arbitrários, aonde não se disciplina o uso da democracia, estão abolidos do nosso País já há algum tempo, e junto deles extinto o AI-5. Portanto, dentro de um regime democrático, faz-se ouvir muito bem as partes, para não se cometer injustiças. Entendemos que a nossa eliminação se deveu simplesmente como forma de se dar uma satisfação a alguns interessados, bem como por não termos ainda aquela representatividade necessária. Todavia, eu pagaria para ver, este mesmo autoritarismo se nesta situação estivesse envolvida uma equipe de maior nome ou maior expressão. Chutar cachorro morto é fácil, vamos pegar os pit-buls, os rotweillers...
Através dos relatos ora colocados, é importante salientar aos nossos amigos e simpatizantes que a derrocada final deu-se no fatídico jogo entre CR Tibiriçá e a AA Luziana, realizado no dia 12/10/2006, no Estádio Horácio Alves Cunha. É bom que se saliente que nada existe contra o nosso oponente, que durante o tempo em que a partida transcorreu teve uma atitude exemplar e que a atitude antidesportiva cometida pelo nosso atleta foi um fato isolado e que os jogadores de ambas as equipes restringiram-se em acomodar as situações.
Os fatos anteriormente apontados pela mantenedora dos clubes, nos quais o CR Tibiriçá sempre figurou como réu, infelizmente só se ouviu um lado. No entanto, na nossa última partida, quando se deu a agressão do nosso atleta ao árbitro, deu-se uma ênfase total ao fato sem, todavia, procurar-se as justificativas. Jamais estaremos aqui apoiando a atitude do nosso jogador, mas também não poderemos concordar com a forma e a truculência que o juiz conduziu a aplicação dos cartões. Convém dizer que até o momento em que o árbitro se predispôs a ser pura e simplesmente o mediador da partida, ele vinha muito bem, técnica e disciplinarmente.
Porém, quando em mais um dos seus destemperos de arrogância (já conhecido dos atletas) desejou ser o centro das atenções, “peitando” o atleta e ameaçando-o com o cartão amarelo e em seguida o vermelho, ao aplicar tal penalidade chamou o atleta de “preto safado” (conforme boletim de ocorrência). Tal insulto pessoal acendeu no garoto um sentimento de revolta muito grande e incontrolável, aonde resultou o seu desabafo, a agressão, pois o mesmo viu-se humilhado e tolhido em seus direitos. Ameaça e discriminação racial estão inseridas no Código Penal, aonde ser negro jamais será desonra (muito pelo contrário, deveria ser orgulho, pois desta descendem nossas origens nacionais).
Espero que todos entendam a nossa situação. Jamais faremos apologia a qualquer tipo de violência, bem como, novamente, não estamos apoiando a atitude de nosso atleta, mas a vida nos impõe limites e dentro das nossas veias, corre o mesmo sangue que dos negros, brancos, etc, portanto, perante Deus, ninguém é mais que ninguém. Para que se possa esclarecer mais, o nosso atleta não é nenhum bandido, possui família, emprego, residência fixa, não tem antecedentes criminais, bem como nunca figurou na Liga Regional com expulsões ou fatos que pudessem desaboná-lo. Portanto, antes que alguns pseudocronistas esportivos possam externar pontos de vista desairosos quanto à conduta do referido elemento, convém repensar, pois se falar no microfone sem o conhecimento total dos fatos e execrar o atleta não é uma atitude correta, e seria muita leviandade. Atrás de um time existe uma comunidade, que é congregada por diversas famílias, que se exigirá muito respeito. Portanto, não falem sem pensar.
As ações já foram tomadas, resta-nos a certeza de que o ano futebolístico para nós está sendo terminado de forma antecipada e melancólica, mas ficou a certeza que tentamos cumpri-lo da melhor maneira possível, portanto, não poderíamos deixar de agradecer a quem confiou em nós: aos nossos patrocinadores, aos nossos amigos que a todo domingo dispunham seus veículos para condução dos atletas, aos nossos parceiros que gentilmente cederam alguns ônibus para a condução das torcidas e, enfim, são tantos os colaboradores que nos perdoem aqueles que por um lapso de memória deixamos de mencionar, mas, gente, valeu!
Enfim, não poderíamos deixar de agradecer, e desculpar-nos, pelo bom convívio que tivemos durante todos esses domingos, aos nossos co-irmãos clubes da Liga Regional, que embora possa ter havido disputa dentro de campo, terminada a partida, ficou uma página virada no jardim da nossa vida, e também às rádios, aos jornais que sempre nos prestigiaram com a sua acolhida. Enfim, um grande abraço a todos, e até qualquer outra oportunidade.
Marcos Luiz de Almeida - Comunidade de Tibiriçá