Internacional

Iraque: denunciado sumiço de US$ 800 mi

Folhapress
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Bagdá - O ex-ministro das Finanças do Iraque Ali Allawi disse anteontem em reportagem transmitida pelo programa “60 minutes”, da rede de TV CBS, que entre US$ 750 milhões e US$ 800 milhões destinados à compra de armas para o Exército iraquiano foram desviados por ex-funcionários.

Segundo o ministro, US$ 1,2 bilhão estava destinado ao incremento do poderio bélico iraquiano, mas apenas US$ 400 milhões foram usados para gastos neste setor, e ainda assim na compra de equipamentos antiquados e sem condição de uso.

Allawi disse ainda que esse desvio se trata de um dos “maiores da história” do país, e que os funcionários iraquianos corruptos responsáveis pelo sumiço do dinheiro estão em diferentes partes do mundo, mas não revelou nenhum nome.

A polícia já investiga o nome de vários profissionais que estavam envolvidos na compra de armas, como o ex-responsável pelos projetos de aquisição de equipamentos bélicos Ziad Cattan, além de várias pessoas ligadas a ele, como ex-ministro da Defesa Hazem Shaalan (sunita), que negou envolvimento no desaparecimento do dinheiro.

Shaalan esteve à frente do Ministério da Defesa durante o governo de ex-primeiro-ministro Ayad Allawi - período que também coincide com a maioria das compras fraudulentas. O ex-primeiro-ministro assumiu o cargo logo após os EUA e sua coalizão “devolverem a soberania” para o Iraque, em junho de 2004. Ele foi substituído por Nouri al Maliki.

Autoridades iraquianas emitiram ordens de prisão a 88 ex-funcionários, entre eles Shaalan e outros 14 ex-ministros. Áudios obtidos pelo programa “60 minutes” contêm trechos em que aparentemente Cattan estaria mencionando o pagamento de grandes subornos a funcionários iraquianos.

O juiz Radhi al Radhi, chefe da Comissão de Integridade Pública do Iraque, confirmou que além do sumiço do dinheiro, os prejuízos se estenderam ao material adquirido com os US$ 400 milhões, como helicópteros da era soviética, coletes à prova de bala e munições em estado tão ruim que não puderam ser usados.

Segurança

O vice-premiê iraquiano, Barham Saleh, afirmou ontem que as forças iraquianas retomarão o controle de sete ou oito das 18 Províncias iraquianas até o final deste ano, mas pediu que as forças internacionais não “abandonem” o Iraque neste momento de transição. “Acredito que a comunidade internacional não deve se abster”, disse Saleh após reunir-se com o premiê britânico, Tony Blair. “Temos que ser realistas, mas não derrotistas. Sabemos que há urgência em lidar com muitos problemas do Iraque, mas não devemos entrar em pânico.”

Segundo ele, o compromisso internacional ainda não chegou ao fim. “Por algum tempo, ainda precisaremos do apoio da comunidade internacional”, afirmou Saleh.

A reunião com Blair em Downing Street acontece depois que autoridades da Defesa iraquiana disseram que o Iraque poderá assumir totalmente a segurança do país em um ano. O escritório de Blair confirmou que o processo de passagem do controle da segurança para o Iraque prossegue “o mais rápido possível”. No entanto, o Reino Unido nega que Blair esteja “pressionando” o Iraque para traçar uma estratégia para a saída das tropas britânicas.

Autoridades britânicas afirmaram que esperam entregar o controle total da segurança no sul do Iraque em 2007, diminuindo o número de soldados no país de 7 mil para 3 mil.

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