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Pereira fala em documento contra Mercadante

Por Da Redação | Com Folhapress
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Cuiabá - O empresário Abel Pereira, ligado ao prefeito de Piracicaba (SP) e ex-ministro da Saúde no governo FHC, Barjas Negri (PSDB), afirmou ontem à Polícia Federal (PF) que Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, pediu a ele no início de agosto que levasse à “cúpula do PSDB” um dossiê contra o senador Aloizio Mercadante (PT), então candidato a governador de São Paulo.

Vedoin “não se referiu naquele momento a valores”, disse Pereira. Há, porém, contradições entre o que Pereira disse em parte do depoimento e o que ele disse em seguida à imprensa. O empresário foi acusado formalmente na Justiça por Luiz Antônio Vedoin, no dia 14 de setembro, de cobrar propina para liberar verbas destinadas à máfia dos sanguessugas na gestão de Barjas, em 2002.

No mesmo dia, Vedoin deu entrevista sobre o caso à revista“"IstoÉ” e negociou dossiê contra tucanos. À PF Pereira disse que se encontrou com Vedoin em agosto no shopping Iguatemi, em São Paulo. Na conversa, Vedoin teria dito possuir documentos que comprovariam interferência de Mercadante para liberar verbas no Ministério da Saúde. Além de pedir contato com a cúpula do PSDB, Vedoin teria solicitado que Abel procurasse também Negri.

No depoimento, Pereira disse ter respondido a Vedoin que não tinha motivos para se envolver com a questão. Afirmou ainda não ter procurado a direção do PSDB nem Barjas. Pereira afirmou que em 24 de agosto foi a Cuiabá, onde teria recebido telefonema de Vedoin marcando novo encontro. Questionado por jornalistas, depois do depoimento à PF, se deixara em aberto na conversa em São Paulo a negociação do dossiê, se irritou. “Deixei (em aberto), pronto. É isso que você quer? Está satisfeito?”

Mentira

O advogado de Luiz Antônio Vedoin, Eloi Refatti, disse ontem que não existe nenhum dossiê contra o senador Aloizio Mercadante. “Não existe nada contra o (senador Aloizio) Mercadante. (Vedoin) não tentou vender nada contra ele. Senão já teria apresentado. Digo isso com toda a certeza”, afirmou Refatti.

Segundo o advogado, como Vedoin tinha o benefício da delação premiada, seu cliente já disse tudo o que tinha para dizer sobre parlamentares. “Eles não são bobos de acusar ninguém sem indícios”, acrescentou. “A situação dele (Vedoin) já está bem complicada para fazer uma afirmação dessas”, afirmou Refatti sobre as declarações do empresário paulista Abel Pereira e de seu advogado, Eduardo Siqueira Rodrigues.

“Factóide”

O senador Aloizio Mercadante afirmou ontem, em nota, que o depoimento de Abel Pereira à Polícia Federal foi uma tentativa de criar um “factóide” para “desviar a atenção das investigações sobre o esquema sanguessuga”, que ele acusa de ter iniciado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O petista disse ainda que o objetivo era prejudicar sua candidatura ao governo de São Paulo e a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vale lembrar que, no dia 15 de setembro, a Polícia Federal prendeu os petistas Valdebran Padilha e Gedimar Passos com R$ 1,7 milhão, dinheiro que seria utilizado na compra de um dossiê antitucanos, preparado pelos mesmos Vedoin.

Em nota, Mercadante afirmou que não teve emendas liberadas “que tenham sido destinadas ao esquema sanguessuga”, dizendo ainda que a informação pode ser confirmada mediante consulta ao Orçamento da União e ao Ministério da Saúde.

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