Em artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo em 15/09/1989, sob o título o “Suds nivelando por baixo”, mostrávamos o equívoco que se cometia contra a medicina brasileira. Por ser longo o artigo, extraímos alguns trechos para dar forma ao título deste comentário. Senão vejamos: O art. 198 da Constituição do Brasil diz: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem a redução de risco da doença e de outros agraves e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.” Estava assim formado o sistema único público de saúde denominado Suds (art. 198 da C.B.).
Defendíamos na oportunidade, como participante do C.R.M., que saúde é um dever do Estado, pois seria inconcebível que um Estado, possuindo meios providos pela ciência, não tratasse de impedir que seus cidadãos adoecessem. Sim, são funções e deveres do Estado o saneamento básico, as vacinações em massa, o combate às endemias e todas as demais ações para a preservação e manutenção da saúde. Porém, os nosso constituintes, alguns por ignorância e outros por má fé, confundiam saúde com assistência médica.
A assistência médica se faz em âmbito de confiança mútua, envolvendo unicamente médico e paciente. É problema pessoal das partes envolvidas. Essa confiança não pode ser imposta por decretos e nem mesmo pela Constituição. Esta confiança se adquire e se generaliza através do trabalho, estudo e o aprimoramento do profissional, técnico e humano, que só é possível em regime de liberdade, sem demagogias e populismo fácil.
O Suds, na época, que hoje é SUS, apenas mudou de nome, sem, no entanto, mudar as suas péssimas condições de atendimento, até piorou. Na insensibilidade da maioria dos constituintes de 1988, para o sistema médico imposto ao País, encontrava-se o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, um de seus grandes defensores.
Agora é o senhor Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República e tem a coragem de vir à televisão para dizer, sem sequer ficar “mais corado”, que o Brasil tem o Sistema de Assistência Médica melhor que todos e que deveria ser exportado para o mundo todo. Acreditamos que o presidente Lula, que não vê e nem sabe de nada, também não tenha visto e nem sabido que é o verdadeiro SUS (sem comentários).
Neste País de SUS, que o senhor presidente Lula quer exportar, vamos apenas relembrar o episódio em que o constituinte Lula, defensor veemente do maravilhoso SUS foi acometido, em 1989 de apendicite aguda em Brasília. O vibrante defensor, hoje presidente do Brasil, Lula pegou seu jatinho em Brasília e foi se operar no Hospital Sírio Libanês. Este patriota, defensor do SUS, que quer exportá-lo, só acredita nele (SUS) para os outros e não para ele. E fala em elites, e outras coisas mais. É lamentável que ainda existam pessoas que acreditem nele.
O autor, Assaf Hadba, é médico