A segunda reunião da Comissão Temporária de Acompanhamento do Plano Diretor deixou ainda mais evidente que as discussões sobre o projeto, no Legislativo, não serão fáceis de administrar. O vereador Paulo Madureira (PP), um dos principais defensores de mudanças no projeto original, elaborado pela Prefeitura em conjunto com delegados representantes de entidades e de associações de moradores, já solicitou destaque em 14 artigos do projeto.
Uma das principais críticas do vereador se refere ao espaço deixado para novos empreendimentos na cidade. Segundo o vereador, o Plano Diretor precisa ser modificado, porque da forma que está impede que a cidade cresça. “Eu acho que está tudo errado. Se nós aprovarmos do jeito que está, não haverá espaço para o crescimento”, afirmou.
De acordo com o parlamentar, a supercomissão vai esmiuçar o projeto, artigo por artigo, para que não fiquem dúvidas. “Vamos discutir linha por linha, palavra por palavra, e o que for preciso mudar, será mudado”, frisou.
Para o vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), a discussão do projeto da forma como sugeriu Paulo Madureira pode atrasar os trabalhos da comissão, fazendo com que a discussão, se arraste por vários meses. Agostinho defende que sejam colocados em discussão, os pontos que causam mais dúvida nos parlamentares, para que os trabalhos sejam agilizados. “São mais de dez horas de leitura, que não são necessárias, se você já conhece o conteúdo do Plano. É importante discutir os artigos mais polêmicos, para chegar a um consenso”, salientou.
Outro que defende mudanças é o vereador Marcelo Borges (PSDB), presidente da Comissão. O tucano faz coro com Madureira e afirma que só haverá crescimento em Bauru se a Câmara intervir no projeto. “O que está se propondo em termos de crescimento é uma lingüicinha, perto do que Bauru precisa”, afirmou.
Já o vereador João Parreira (PSDB) afirma que há “um cinturão” em volta da cidade, impedindo o desenvolvimento. “Se a Câmara não alterar o projeto, o crescimento vai para Arealva, Agudos, Avaí, e Bauru vai parar no tempo”, disse.
Conflitos
Ontem foi a segunda reunião da Comissão Temporária de Acompanhamento do Plano Diretor, mas a primeira com a participação da arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordenou a elaboração do projeto. Da comissão, formada por 13 vereadores, apenas quatro compareceram desde o início, às 8h30. Outros chegaram mais tarde, mas a reunião terminou cedo por causa da inauguração do novo aeroporto de Bauru.
A reunião de ontem expôs os conflitos na supercomissão. De um lado há os vereadores que defendem mudanças, de outro, aqueles que preferem a discussão com mais participação popular, como orientou a Frente Nacional de Vereadores pela Reforma Urbana (Fenavru), na oficina sobre o PD, realizada há duas semanas, na Câmara.
Outro aspecto que chamou a atenção foi, novamente, a falta de participação de mais vereadores na reunião. A relatora do projeto, Majô Jandreice (PC do B), chegou a abordar o assunto na sessão de ontem, pedindo que os vereadores participem mais das discussões. “Nós formamos uma comissão para que todos contribuíssem com o projeto, então é importante que todos compareçam às reuniões, para discutir o Plano Diretor”, salientou.