Regional

Agudos aciona ex-ministro para usina

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Agudos - Uma destilaria de porte médio para processar inicialmente de 800 a 1 milhão de toneladas por safra, com alternativa de expansão para 2 milhões de toneladas, e com geração de 2 mil empregos iniciais, podendo chegar a 4 a 5 mil vagas diretas, foi a proposta apresentada em uma reunião ontem, na Prefeitura de Agudos (13 quilômetros de Bauru), com a participação de Edson José Ustulin, presidente da Comissão Nacional da Cana-de-Açúcar da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Com a área para o empreendimento já definida e cerca de 7 mil alqueires de cana já plantados, Agudos busca agora o apoio do ex-ministro da Agricultura do Governo Lula, Roberto Rodrigues. Ele entra no circuito de negociações por intermédio de Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp).

Desde o dia 9 deste mês, Rodrigues preside o recém-criado Conselho Superior de Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Lima Verde explica que Rodrigues pode fazer a ponte junto a um usineiro pronto para investir no agronegócio. Segundo Lima Verde, Rodrigues tem a vivência com o setor sucroalcooleiro por também ser produtor de cana.

O ex-ministro já manteve contato com autoridades e produtores de Agudos quando foi homenageado, em agosto deste ano, na abertura da quarta edição da Feira da Agricultura Familiar e do Trabalho Rural (Agrifam). Os contatos devem ser feitos em cerca de 15 dias, quando será marcado um encontro de representantes da cidade com Rodrigues, para que também o ex-ministro “compre a idéia”.

Na pauta de intermediações, ainda estão previstos contatos com a Organização de Plantadores de Cana da Região do Centro-Sul do Brasil (Orplana) e União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica).

O prefeito José Carlos Octaviani (PMDB), vários vereadores, produtores e representantes da Associação Rural de Agudos (Arar) discutiram ontem na prefeitura com Lima Verde e Ustulin as alternativas para a implantação de uma indústria sucroalcooleira.

Para atrair investimento, Agudos inicia as negociações oferecendo de área plantada com cana-de-açúcar, terreno estratégico para a construção da usina e disposição do grupo político da cidade para obter o empreendimento. A disponibilidade imediata de matéria-prima é considerada por Ustolin e Lima Verde como de extrema importância. “A maior dificuldade de outros (municípios) é que estão começando o plantio. Agudos já tem. Conta também com a vontade do prefeito (José Carlos Octaviani), que para ele tudo pode”, salienta Lima Verde.

Ainda como vantagens, Ustulin citou a ótima logística para escoamento da produção, disponibilidade de mão-de-obra e terra em abundância. “Ela (Agudos) reúne as qualidades para implantar uma indústria sucroalcooleira no município. Está no centro do Estado de São Paulo e próximo ao centro consumidor e de exportação”, qualifica Ustulin.

No entendimento de Lima Verde, não há empecilho para que, ao término dos contratos em vigência, os produtores agudenses passem a fornecer cana para usineiro instalado no município.

Ele projeta que o investimento para uma usina média seria da ordem de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões. No encontro de ontem foi avaliado que o aporte financeiro pode vir de uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Comentários

Comentários