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Clamemos pelo Noroeste


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Li, incrédulo e tristemente, a notícia sobre o pedido de renúncia do benfeitor Damião Garcia, da presidência do Esporte Clube Noroeste. Li, também, comentário extemporâneo a respeito de quem deveria ocupar o cargo e, ainda, a falta de apoio das forças vivas de Bauru. Mas, na verdade, tudo isso, fora as exceções, gira em torno da falta de homens que amem a nossa terra e colaborem com o seu progresso e com as suas instituições ou associações como é o caso do Esporte Clube Noroeste. Damião, nunca foi de renunciar a qualquer empreitada. Pelo menos é o que me consta. Arrojado, persistente, lutador, sempre obteve resultados positivos em seus empreendimentos, através do seu trabalho, em que pese, eventuais agruras naturais que atravessam às vezes, os caminhos dos grandes empreendedores.

Todavia, Damião Garcia foi, é e deve continuar sendo o grande bauruense que os quatro cantos da cidade enaltecem e aplaudem como um grande noroestino, evidenciando-o com um espírito comunitário incomum. Talvez isso falte a muita gente que poderia ajudar o E.C.Noroeste. E aqui ele tem absoluta razão. Afinal, já se cansou de pedir socorro àqueles que poderiam ajudá-lo a carregar o pesado fardo financeiro noroestino. A esse respeito a imprensa não se cala. E a cidade, através dos dirigentes das suas empresas, não se movimenta para arregimentar forças financeiras capazes de administrar o clube como uma empresa. E isto pode ser conseguido através da estrutura que Damião Garcia conseguiu impor ao até então desvalido Noroeste. É só dar tempo ao tempo.

A verdade é que o homem cansou-se. Cansou-se de esperar alguma reação que o apoiasse nessa empreitada maiúscula. Não tendo qualquer ressonância aos seus apelos, renunciou ao mandato que lhe foi conferido pelo atual Conselho Deliberativo do qual fazemos parte. E, como conselheiro afeito às lides jurídicas, entendemos, s.m.j., que a sua renúncia caracteriza-se, sim, como um gesto personalíssimo e, por isso, independe de qualquer decisão do Conselho Deliberativo, em sentido contrário. Trata-se de um ato soberano, unilateral, dependente, tão somente da vontade do seu signatário, o que não quer dizer que esse ato não possa ser revertido. Pode sim, mas sempre dependendo da vontade única e exclusiva do seu autor.

A respeito, haverá uma reunião do Conselho Deliberativo amanhã, justamente para tratar do assunto. Temos certeza que o seu lídimo presidente, Francisco Miraglia Simões Barbosa, o nosso Kiko, noroestino dos quatro costados, como seu amado pai e seu querido irmão, saberá administrar esta crise. Para tanto, sugerimos que seja formada, imediatamente, uma comissão de alto nível para lastrear a reversão de uma decisão que pode não ser definitiva. É preciso conversar com o nosso presidente. Repito: Damião Garcia nunca foi afeito a renúncias. E, ainda mais, quando um articulista lança à fogueira a possibilidade de uma outra pessoa na presidência executiva do clube, traçando-lhe, inclusive, o perfil, esquece-se que na falta do presidente o estatuto é claro quando diz que o vice-presidente sucede o titular em suas faltas ou impedimentos. A menos que o sucessor também renuncie ao cargo. Mas este não é o caso e nem o caminho desejado. Antes, porém, tudo deve ser feito para que o grande benfeitor do norusca retroaja em seu desastroso gesto. Desastroso para o Noroeste, desastroso para Bauru. Sabemos de quantos dissabores e de quantas vezes Damião Garcia foi vítima, sem precisar passar por vexames - os mais variados - por causa da situação herdada de outras diretorias, mas, é preciso declarar que aos grandes homens estão destinadas as grandes batalhas e, para ganhar a guerra faltam mais algumas pelejas. Mas só Damião Garcia sabe aonde lhe aperta o calo. À derradeira, questiono as chamadas forças vivas de Bauru. Onde estão? Será que ainda existem, ou será que já lhe jogaram a pá de cal? Acordemos, enquanto é tempo. Somem-se ao Damião, ao Érico, ao Quinho, à OKI, à CPFL, ao Expresso de Prata e outros. Bauru vai mal no esporte. Os Jogos Abertos foram um fracasso para a nossa cidade. O Bauru Atlético Clube (BAC), de onde saiu o maior jogador de futebol do mundo, considerado o atleta do século passado, acabou. Clubes sociais, nem se fala. E o Noroeste, depois de ressurgir das cinzas pelas mãos benfazejas de Damião Garcia, - um exemplo de cidadão - aonde irá parar se não houver a renúncia da renúncia?

Afinal, foi ele quem reconstruiu em todos os sentidos o Esporte Clube Noroeste, como um verdadeiro filho. Algo que nasceu do seu empreendedorismo e, por amar Bauru, dedicou-se com abnegação paternal a essa empreitada, com sacrifícios pessoais em prol dessa entidade esportiva que chegou a levar a sua torcida muitas vezes à loucura. E isto tudo por desprendimento, por devotamento à maquininha vermelha. Aí, sim, eu vi Damião Garcia renunciar ao aconchego familiar, deixando, também, por vezes, de freqüentar as rodas do seu outro time do coração: o Corinthians. Por tudo isso, volte presidente! Bauru está a seus pés, solicitando. Sou eu quem roga. São os noroestinos que clamam. São os bauruenses que exigem. É a cidade que exclama: volte presidente emérito Damião Garcia. Não deixe a nação alvi-rubra órfã.

O autor, Abel Abreu, é delegado de polícia e noroestino

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