Economia & Negócios

Quilo do pão varia de R$ 2,90 a R$ 5,00

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 4 min

Desde o último dia 20, consumidores de todo Estado estão comprando pão francês por quilo, e não mais por unidade, por determinação do Instituto Nacional de Metrologia, Normatização e Qualidade Industrial (Inmetro). Ontem, o Jornal da Cidade fez uma pesquisa informal de preços em padarias de diferentes regiões da cidade. A diferença do valor cobrado pelo quilo do pãozinho foi grande: variou de R$ 2,90 a R$ 5,00.

Para o presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região, Evaristo Rodriguez Gonzalez, o valor da farinha não justifica a variação tão grande dos preços cobrados do consumidor final. Para ele, outro motivo justifica a diversidade de preços.

“O preço da farinha não muda muito. O que diferencia o preço do pão é a localização da padaria, principalmente”, diz. O preço mais baixo encontrado pela reportagem foi num estabelecimento localizado no Jardim Redentor. Por outro lado, o valor mais alto foi de uma padaria localizada no Centro da cidade.

Apesar da variação de preço ser grande de uma padaria para outra, a cobrança por quilo agradou a maioria dos clientes e panificadores entrevistados. Segundo eles, o objetivo de tornar a comercialização mais justa tanto para o vendedor quanto para o consumidor foi atingido.

Segundo Gonzalez, o bauruense aceitou com facilidade a mudança. “Muitas padarias da cidade já cobravam o pão por quilo. Diferente de outras cidades da região, que tiveram maior rejeição dos clientes”, argumenta.

Proprietária de uma padaria há 28 anos, Teresa Gonçalves Módolo vende pão francês por quilo há quatro anos. “Optei por essa forma de cobrança por justiça. Os consumidores queriam pagar por quilo e decidi experimentar a mudança. Foi ótimo para todos”, garante. Assim, além dos pães, muitos salgados e doces também são cobrados por quilo na padaria.

Aprovado

A cliente Andréia Alves Pereira aprova. “Fica mais justo. A gente paga o que consome”, opina. Para a aposentada Maria Inez Carvalho, com o preço cobrado por quilo o diferencial é o sabor. “Agora, o que mais importa no pão francês não é o tamanho, e sim o sabor que cada padaria oferece”, diz.

Outra proprietária de padaria, Martha Pimentel, também optou por cobrar o pãozinho por quilo antes da obrigatoriedade. “Fiquei sabendo sobre a mudança e resolvi me antecipar. Desta maneira (por quilo), certamente ninguém sai perdendo. Os clientes gostaram da nova forma de cobrança”, afirma.

Até os supermercados foram inseridos na portaria do Inmetro. O gerente de compras de um supermercado de Bauru, Marcos Renato Lourenção conta que a mudança também foi bem recebida pelos clientes do estabelecimento.

Mas nem todos gostaram da novidade. José Isaac, proprietário de uma padaria, disse que tentou implementar a cobrança por quilo antes da determinação do Inmetro, mas os clientes não aceitaram. “Perdi cliente na época. Mas desta vez, eles estão mais informados”, conta.

O proprietário de outra padaria, que preferiu não se identificar, disse que preferia a cobrança de pães por unidade. Ele reclama que o Inmetro deveria fiscalizar o peso dos pães (50 gramas) ao invés de mudar a maneira de cobrança. Também questiona a forma como o Inmetro procedeu.

O veredicto final para a aprovação da portaria foi da população, em votação feita pela Internet no site do Inmetro. Cerca de 70,34% das pessoas que participaram consideraram a venda por peso mais justa. “Acho que o universo de pessoas entrevistadas pela Internet não condiz com o número de indivíduos do Estado”, questiona.

A dona de casa Karina de Cássia Gomes também não gostou da mudança. De acordo com suas contas, antes, com R$ 1,00 ela comprava sete pães. “Agora, pago R$ 0,98 por seis pães e não tenho os dois centavos de troco”, reclama.

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Fiscalização

O Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem) já autuou duas padarias em Bauru desde sexta-feira. Ambas estavam vendendo pães por unidade. Até ontem, o órgão recebeu outras quatro denúncias de padarias de Bauru e região que estariam vendendo o pão francês irregularmente por unidade.

Três casos são de padarias de Bauru. Dessas, fiscais do Ipem já visitaram duas, mas em ambos os casos a informação não procedeu. “Quando chegamos nos estabelecimentos, a venda já estava sendo feita por quilo. Acredito que os proprietários das padarias se adequaram quando perceberam que haviam sido denunciados”, afirma o chefe de divisão técnica do Ipem em Bauru, Luiz Antônio Brizzi.

• Serviço

A população também pode colaborar com o Ipem denunciando as padarias que estiverem praticando a venda irregular do pão francês, comercializando com preço por unidade. Os telefones para contato são (14) 3231-2141 e 0800-0300522.

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