São Paulo - O ministro Celso Amorim (Relações Exteriores) defendeu ontem que as negociações entre a Petrobras a Bolívia não fiquem “escravas” de prazos fixados pelo decreto de nacionalização dos hidrocarbonetos. O decreto prevê que as empresas petrolíferas que atuam no país assinem novos contratos até o próximo sábado ou deixem de atuar no país vizinho.
“O Brasil não está pedindo a prorrogação do prazo. O que o Brasil está dizendo é que o importante é ter um boa negociação e que não devemos ficar escravos de um prazo”, afirmou Amorim.
A declaração situa-se um tom abaixo da feita anteontem pelo coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, que afirmou que, se não houver acordo, a estatal sairá do país vizinho. “Se nós chegarmos a um acordo, ótimo, estabeleceremos um novo contrato, faremos migrar o contrato atual para outro. Se não houver, a Petrobras se retirará da Bolívia, muito simples”.
O prazo dado para a assinatura dos contratos é bastante inconveniente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, já que vence um dia antes do segundo turno da eleição. O adversário de Lula, Geraldo Alckmin (PSDB), tem criticado o presidente sobre a posição brasileira adotada com a Bolívia. Segundo o tucano, o governo não teria defendido os interesses brasileiros com a firmeza necessária.
Amorim disse ontem que o Brasil se opõe a “decisões unilaterais” e que os países vizinhos devem entender a importância de “manter a cooperação”. Ele disse ainda que o Brasil é contra “represálias” e “ameaças”, mas admitiu que a Petrobras “tomará as medidas legais” caso seja prejudicada no país vizinho.