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Cilindro de voz do Boeing é encontrado

Por Iuri Dantas, Andréa Michael e Cláudia Dianni | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Aeronáutica localizou ontem o cilindro de voz do Boeing-737-800 da Gol que fazia o vôo 1907 no dia 29 de outubro e caiu na selva amazônica no maior acidente da aviação do País. A peça será vital para reconstituir o acidente, uma vez que registra a conversa entre os dois pilotos e pode revelar, por exemplo, se eles tiveram tempo de perceber a colisão com o jato executivo Legacy, fabricado pela Embraer.

O cilindro vai ser encaminhado sexta-feira para o Canadá, onde será analisado pela Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), da mesma forma que foram periciados os demais componentes da caixa-preta do Boeing e do Legacy. Segundo o ministro da Defesa, Waldir Pires, o cilindro foi encontrado a 20 centímetros de profundidade próximo à cauda da aeronave por meio de detectores de metais utilizados pelas equipes de buscas. “Foi um êxito”, disse Pires.

Mais de 300 militares continuarão o trabalho no local para encontrar os despojos de uma última vítima. Ao mesmo tempo em que divulgou a localização da peça, a Aeronáutica precisou se explicar ontem sobre ofício enviado à Polícia Federal (PF). Assinado pela assessoria jurídica do Comando da Aeronáutica, o documento diz que haveria impedimento legal em fornecer os dados.

O documento cita especificamente as Norma de Segurança do Comando da Aeronáutica (NSCAs) 3-6 e 3-12, segundo as quais tais dados têm caráter sigiloso e não podem ser repassados para uso em processos que visam a punição de eventuais envolvidos em acidentes. As normas se baseiam na Convenção de Chicago, da qual o Brasil é signatário.

O objetivo das investigações de autoridades aeronáuticas deve indicar as causas do acidente e contribuir para melhorar as regras de aviação civil, não propriamente apontar culpados. Principalmente porque o acesso aos dados é franqueado de maneira voluntária pelas empresas. Como há a possibilidade de negligência, erro ou mesmo crime cometido pelos pilotos do Legacy, do Boeing e dos controladores de vôo, a PF abriu um inquérito para apurar responsabilidades. Neste ponto ocorreu a confusão.

A Aeronáutica não pode fornecer os dados, é preciso acionar a Justiça. Analogamente, é como dizer que os bancos não podem fornecer à PF dados dos clientes - exceto com ordem de um juiz. Por isso, o delegado Renato Sayão encaminhou ontem o pedido à Justiça, para que determine a entrega dos dados. No acidente, morreram 154 pessoas, todas a bordo do Boeing da Gol, que vinha de Manaus para Brasília.

A aeronave caiu após colidir com o Legacy, que ia aos Estados Unidos. O choque ocorreu a 37 mil pés-altitude destinada só para aeronaves no sentido norte-sul, o que indica que o Legacy viajava na “contramão”.

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