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Mulher tranca filho no carro e vai a show

Folhapress
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São Paulo - A secretária Kátia de Paula Torres, 25 anos, foi indiciada ontem por abandono de incapaz depois de deixar a filha, de um ano e um mês, trancada dentro de seu carro para ir a um show da banda de pagode Exaltasamba. Segundo a polícia, o manobrista do estacionamento particular da casa de shows Porto Alcobaça, na Barra Funda (zona oeste), ouviu a criança chorando dentro do veículo, um Fiat Tempra, e chamou a polícia por volta das 2h.

Antes da chegada da PM, o manobrista abriu a porta do carro, que estava trancado e com os vidros fechados. “Na hora em que chegamos, a menina estava nervosa, assustada, chorando bastante e provavelmente com fome”, contou o soldado Fábio Crisóstomo, que atendeu a ocorrência. O manobrista informou que o Tempra havia chegado por volta das 23h30. De acordo com o policial, o sistema de som da casa noturna chamou três vezes pelo proprietário do veículo, sem sucesso. “Quando achei a carteira de vacinação da criança, pedi que chamassem pela mãe”, afirmou Crisóstomo.

Após 1h30 da chegada da polícia, a mãe da criança saiu do show, acompanhada por uma amiga e pelo irmão dela. “Ela veio tranqüilamente, após o término da apresentação, como se nada tivesse acontecido. A criança nem fez menção de ir para o colo dela quando a viu”, disse o policial, que está há nove anos na Polícia Militar (PM) e disse que nunca viu nada parecido. A acusada teria dito que não ouviu os chamados da casa noturna. A criança, que seria filha única de Kátia, foi levada para o Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas (zona oeste), e passa bem.

De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, ela ficará internada até o juiz decidir para onde ela será encaminhada. Já a mãe, Kátia Torres, que, segundo a polícia, não aparentava estar bêbada, foi ouvida e liberada em seguida. Ela responderá por abandono de incapaz, cuja pena varia de seis meses a três anos de detenção. Os amigos que estavam com a acusada foram ouvidos e também liberados. O carro foi apreendido e será periciado. Os policiais querem analisar se a criança corria risco de morte no veículo.

Na zona norte

Em abril deste ano, um menino de um ano e três meses morreu após ter sido esquecido pelo pai dentro do carro, em frente à academia de ginástica onde ele trabalha, na Vila Mazzei. A criança, que ficou mais de cinco horas dentro do carro, sofreu parada cardiorrespiratória, queimaduras de primeiro e segundo graus e desidratação grave.

Segundo a polícia, Carlos Alberto Legal Filho, 35 anos, seguia um roteiro com a família todos os dias. Primeiro, ele deixava a filha mais velha na escola, o bebê no maternal e, em seguida, a mulher ficava na estação Parada Inglesa do metrô. No dia em que a criança morreu, houve uma mudança no roteiro e, antes de levar o bebê para o maternal, ele teve que deixar a mulher no metrô. Da estação, Legal Filho seguiu para o trabalho, estacionou o carro com o menor dentro e só retornou perto da hora do almoço. A criança foi socorrida, mas não resistiu. O pai foi indiciado por homicídio culposo (sem intenção de matar).

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