Brasília - Na reta final da campanha presidencial, o acirramento da disputa entre os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin provocou uma batalha judicial. Os candidatos buscam, sobretudo, espaço no horário eleitoral do adversário na TV para veicular direito de resposta por suposta ofensa.
Um levantamento divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que houve 26 pedidos de direito de resposta nos 12 primeiros dias da propaganda eleitoral gratuita do segundo turno, contra 22 ao longo dos 45 dias do primeiro turno, considerando apenas as representações de Alckmin contra Lula e vice-versa desde o início da campanha. No início da noite de ontem, o TSE concedeu a Alckmin direito de resposta de dois minutos em programas do adversário no rádio.
O tribunal já tinha concedido a ele um minuto no rádio e outro na TV, enquanto Lula assegurou três minutos no horário tucano na televisão. Ontem, os ministros consideraram ofensivo trecho da propaganda de Lula que responsabilizou Alckmin pessoalmente por irregularidades em contratos e obras públicas na administração do governo de São Paulo, como a calha do Tietê e o caso Nossa Caixa.
Incomodado com a concessão de recente direito de resposta ao PT, o comando da campanha de Alckmin tem reclamado da conduta do TSE no segundo turno. Segundo o tucanato, o tribunal interdita o debate ao trabalhar com o conceito de injúria indireta.
O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, disse que o “TSE não pode ser tão restrito a ponto de censurar um debate político que está na essência da disputa presidencial: a ética”. Os tucanos reclamam do fato de o TSE ter concedido tempo ao PT em resposta ao spot em que o PSDB sugeria que, como comandante do governo e da Polícia, Lula mandasse investigar a origem do R$ 1,7 milhão destinado à compra de munição contra o PSDB. Apesar de temer nova concessão de direito de resposta, o PSDB vai levar ao ar inserções que exploram a discussão ética.
A campanha será uma reedição do “Pai, é feio roubar?”, usado pelo governador Mário Covas contra Paulo Maluf em 1998. Agora, uma família de classe média exalta a honestidade e declara voto em Alckmin.
No balanço do primeiro turno, Lula foi o grande derrotado no TSE, principalmente por condenações à perda de tempo de sua propaganda devido à aparição considerada indevida no horário de aliados que concorriam a outros cargos.