Teresina - Em comício ontem no Maranhão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “por favor” aos maranhenses para que votem em Roseana Sarney (PFL) para o governo do Estado. Num palanque dividido com a candidata do PFL, Lula justificou seu pedido dizendo que ela esteve ao seu lado na hora do “pega-pra-capar”, numa referência à crise do "mensalão" do ano passado: “A gente sabe o que aconteceu neste País. A gente sabe o que uma pequena elite conservadora e raivosa tentou fazer comigo”, disse.
“Getúlio Vargas foi levado à morte, Juscelino Kubitschek quase foi escorraçado, João Goulart foi banido. Pois bem, eles (a elite) começaram a fazer o mesmo comigo. Não fizeram porque eu tive gente, que eu nem tinha muita amizade, mas que na hora do pega-pra-capar estava do meu lado, que é a nossa querida senadora Roseana Sarney, além da lealdade do senador (José) Sarney, com a experiência dele de presidente. Essas coisas a gente não se esquece”, disse o petista, que se referiu à pefelista como “querida companheira Roseana”.
Lula esteve ontem em Timon (429quilômetros de São Luís) para pedir votos a Roseana como uma forma de retribuir o apoio que tem recebido do senador e pai da pefelista, o peemedebista José Sarney, desde o início de seu governo. A presença de Lula no mesmo palanque de Roseana irritou o PT maranhense, que apóia Jackson Lago (PDT). Já o PFL, da coligação de Geraldo Alckmin (PSDB), ameaça expulsar Roseana do partido por conta de seu apoio ao petista.
O presidente discursou de improviso por 20 minutos, diante dos cerca de 5 mil presentes que tremulavam bandeiras do PT e do PFL e revezavam gritos a Lula e a Roseana, formando um cenário inusitado na política regional. O PT maranhense, que boicotou o evento de Timon, é adversário da oligarquia Sarney.
Ontem, na abertura do comício, Lula mostrou-se constrangido por estar ao lado da candidata pefelista. De forma tímida, ergueu os braços com ela algumas vezes. Mas deu o recado que Sarney queria ouvir: “Quem votar em mim, por favor, por favor, vote na Roseana Sarney para governadora do Estado”.
Ciente da estranheza de dividir palanque com o PFL, Lula passou alguns minutos de sua fala apontando os motivos que o levaram a apoiar Roseana: “Eu vim aqui pra cumprir com um dever de lealdade. Em política a gente tem que ter lealdade com quem é leal conosco. E essa mulher foi leal comigo desde a campanha de 2002”, disse: “A gente conhece quem é amigo quando a gente está na desgraça. A gente conhece quem é amigo quando a gente está doente. Quando é tempo de festa, todo mundo é amigo.”
Em seguida, Lula atravessou a ponte que separa o Maranhão do Piauí para um rápido discurso em Teresina. Diante de 3 mil pessoas, viu José Sarney ser vaiado e voltou a insinuar os projetos privatistas dos tucanos. “Acabou a era das privatizações, acabou. O Estado brasileiro agora vai cuidar das suas empresas com carinho”.
Os presentes cantaram “Parabéns pra Você” a Lula ao ouvir dele que, no dia em que completar 61 anos, na sexta, estará “pelejando” com Geraldo Alckmin na TV Globo: “O presente eu quero no domingo de manhã”.