Economia & Negócios

Comércio ‘disputa’ venda de flores

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Já foi a época em que Finados era considerado o segundo Natal do ano para as floriculturas. O período perdia apenas para o Dia das Mães. Mas conforme empresários do ramo, a expectativa de vendas para este ano não é nada promissora. Eles alegam que desde quando os supermercados passaram a comercializar flores e tornaram-se concorrentes potenciais, o faturamento no período caiu substancialmente.

Jorge Quatrina, dono de uma floricultura em Bauru, espera um volume tímido de vendas, apesar de ter comprado o dobro de vasos de crisântemos que costuma vender em outros meses do ano. “Estou colocando à venda 40 vasos, o que é um número irrisório se comparado com outras épocas. Há alguns anos, eu chegava a vender 300% a mais. Hoje, os supermercados e os ambulantes atrapalham muito as vendas das floriculturas”, comenta.

Osni Machado, que também trabalha com comércio de plantas em Bauru, mostra a mesma insatisfação do concorrente. Ele não pretende pôr à venda mais do que 40 vasos de crisântemos para atender ao movimento de Finados. “É a mesma média que vendi no ano passado. Não dá para concorrer com os supermercados, que vendem o produto a um preço mais barato”, acrescenta. O vaso de crisântemo em sua floricultura está sendo vendido a R$ 6,00, enquanto em alguns supermercados, a mesma flor pode ser encontrada a partir de R$ 4,00. “Mas aqui, o consumidor leva o vaso em papel especial, sem falar que a planta recebe todos os cuidados necessários”, diz Machado.

A baixa perspectiva de vendas não é comum apenas nas floriculturas. Carlos Ferreira da Silva, que comercializa flores no Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) de Bauru, espera vender 100 vasos a mais que em 2005, quando comercializou 600 unidades. O acréscimo para este ano é de 10%.

Para ele, a concorrência com os supermercados também tem sido o principal motivo da baixa expressividade das vendas. “Fica difícil concorrer com os supermercados. Eles oferecem vasos grandes a preços menores dos que são encontrados nas casas especializadas ou aqui no Ceasa”, avalia.

De fato, alguns supermercados da cidade esperam faturar bem com o período de Finados, celebrado no dia 2 de novembro. Num dos estabelecimentos do município, a gerência acredita que as vendas cresçam 20% em comparação a 2005. “Temos a expectativa de vender seis mil vasos de crisântemos para o dia 2 de novembro. Vamos disponibilizar a mercadoria já a partir desta sexta-feira. O consumidor poderá encontrar vasos entre R$ 3,99 e R$ 6,99”, ressalta Marcos Renato Lourenção, gerente de compras do supermercado.

Preços

Na floricultura de Jorge Quatrina, o consumidor poderá encontrar vasos de crisântemo com valores que variam entre R$ 5,00 e R$ 15,00. Outra opção é a margarida de corte, cujo maço custa R$ 20,00. Para quem deseja enfeitar o túmulo com flores mais nobres, os arranjos são alternativas. Eles custam entre R$ 80,00 e R$ 200,00 e podem ser feitos com antúrio, rosas, palmas, gérberas e até orquídeas.

No Ceasa, o pacote com 20 galhos de crisântemo pode ser encontrado a R$ 12,00, enquanto cinco dúzias de palma, a R$ 30,00.

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Fábrica de velas

Embora tenha ampliado sua área de comercialização, uma indústria de velas que funciona em Agudos estima ter redução de até 10% nas vendas do produto para o feriado de Finados deste ano.

A fábrica já produziu três toneladas para o período, mas como o preço do quilo da parafina, que é a matéria-prima do produto, sofreu reajuste, o dono do empreendimento acredita que o faturamento não acompanhará o volume da produção.

“O preço da parafina aumentou 100%. Foi de R$ 2,60 para R$ 4,50. Infelizmente, por conta dessa eventualidade, no máximo conseguiremos empatar com o ganho que obtivemos no mesmo período de 2005”, completa Admir Comin, dono da fábrica.

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