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‘Dossiegate’: casa de câmbio passa por apreensão da PF

Por Da Redação | Com Folhapress
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Rio - Apontada como a casa de câmbio de onde teriam saído dólares do dossiê contra tucanos, a Vicatur, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense) foi alvo ontem de operação de busca e apreensão da Polícia Federal (PF).

Os donos da Vicatur, Fernando Manoel Ribas Soares e Sirley da Silva Chaves, e o pai e o irmão de Fernando, os também doleiros Jorge Ribas Soares e Jorge Ribas Soares Júnior, prestaram depoimento na sede da PF no Rio. Seis agentes chegaram à Vicatur às 11h50 e ficaram no local por 1h10. Levaram apenas uma caixa de papelão.

Os agentes deixaram o local sem responder a perguntas da reportagem. A Vicatur divulgou nota afirmando que seus sócios, Ribas Soares e Sirley, não respondem a inquérito ou processo criminal e que “as as operações cambiais são dentro da lei e comunicadas ao Banco Central”. Entretanto o sócio majoritário Fernando Manoel Ribas Soares deve quase R$ 500 mil em valores de 1998 (cerca de R$ 900 mil, se corrigidos) ao governo federal, mostra processo de execução fiscal da 8.ª Vara Federal do Rio.

A família Ribas Soares tem outras dívidas de impostos com a União. Ex-sócio do irmão Fernando na empresa, Jorge Ribas Soares Júnior foi condenado criminalmente duas vezes, somando 10 anos e 8 meses de prisão, por crime contra o sistema financeiro (evasão de divisas) e estelionato, e tem quatro processos de execução fiscal na Justiça federal.

Acusações

O sub-relator de sistematização da CPI dos Sanguessugas, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), acusou ontem o delegado Diógenes Curado - que comanda as investigações da Polícia Federal em Cuiabá sobre o dossiegate - de estar agindo a favor do Palácio do Planalto para retardar as investigações sobre a origem do dinheiro que seria utilizado para comprar o material antitucano.

Segundo o deputado, a Polícia Federal vem caminhando “a passos de tartaruga” nas investigações para afastar o governo do caso dossiê. “A Polícia Federal tem interesse em retardar as investigações, está orientada a andar a passos de tartaruga e faz de tudo para afastar o Palácio do Planalto das investigações”, disse.

Sampaio também acusou o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), de estar postergando as investigações na comissão para evitar que o dossiegate atinja a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do segundo turno. “Ele critica os deputados que trabalham sábado e domingo para descobrir a origem desse dinheiro, mas só aparece para trabalhar na terça-feira. A politização da CPI acontece quando ele se omite de estar aqui e investigar”, enfatizou.

O deputado também criticou o fato de Biscaia ter sugerido os depoimentos dos quatro ex-ministros da Saúde que ocuparam o cargo no período de atuação da máfia das ambulâncias para o início de novembro. Segundo Sampaio, a CPI deve primeiro ouvir os acusados de envolvimento na compra do dossiê ao invés dos ministros. “Eles são vítimas disso tudo, temos que ouvir primeiro os acusados”, afirmou.

Documentos

Segundo Sampaio, um técnico da CPI embarcou ontem para Cuiabá em busca do restante do material da Polícia Federal sobre o dossiegate. O deputado disse esperar que desta vez, ao contrário da semana passada, o técnico retorne a Brasília com todos os documentos necessários à investigação. “O que a gente espera é que o Augusto (Panissat) consiga voltar com os documentos. Eu vou continuar até o último momento tentando mostrar ao Brasil antes do segundo turno a origem do dinheiro do dossiê”, afirmou.

O sub-relator aguarda as quebras de sigilo telefônico de Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo de São Paulo, Jorge Lorenzetti, ex-analista de risco e mídia da campanha do presidente Lula e Oswaldo Bargas, ex-secretário do Ministério do Trabalho. Todos são acusados de envolvimento na compra do dossiê.

Sampaio também espera que o técnico leve à CPI a transcrição do depoimento à PF de Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT, e os laudos e a fita do circuito interno de televisão hotel Íbis, em São Paulo - onde Gedimar Passos e Valdebran Padilha foram presos com o R$ 1,7 milhão que seria usado para comprar o dossiê.

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