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Lula quer evitar ‘salto alto’ de aliados

Folhapress
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Brasília - Em vantagem nas pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem recomendado cautela aos aliados, temeroso de que o “salto alto” possa prejudicá-lo nesta reta final da campanha. Interlocutores do presidente evitam comentar até mesmo onde Lula irá acompanhar o resultado da disputa no domingo - em Brasília ou em São Bernardo do Campo - e se a “festa da vitória” já estaria sendo organizada.

No primeiro turno, o presidente decidiu aguardar a apuração das urnas em Brasília, desconsiderando a opinião dos supersticiosos que o aconselharam a repetir a cena de 2002, quando acompanhou de casa a contagem dos votos. A comemoração na época foi na avenida Paulista, uma das principal da Capital. Interlocutores do presidente dizem que ele tem pedido insistentemente que ninguém cante vitória antes da hora e que sua equipe se concentre para evitar surpresas no próximo domingo.

A quatro dias da eleição, o presidente participou ontem de uma cerimônia com catadores de material reciclável e moradores de rua e disse que foi o governante a abrir o Palácio do Planalto para a “sociedade marginalizada”.

“Quero dizer para vocês da minha alegria, do meu prazer, da satisfação de poder ter vivido este dia como o presidente da República em que, nesse Palácio, adentrou mais uma parcela da sociedade brasileira marginalizada. Quero afirmar a quem quer que seja que este país não tem dono e não terá mais dono”, afirmou o petista.

Lula se comparou a Nelson Mandela, que governou a África do Sul depois do fim do apartheid, e disse que o trabalho de quem vive “recolhendo a nossa sujeira precisa ser reconhecido como uma atividade nobre”.

“É preciso que entre neste Palácio a sociedade brasileira como um todo. Um gesto como esse possivelmente não será medido agora. Leva tempo para que a sociedade mature e compreenda os significados”, disse. “Em que momento da história um catador de papel pôde usar a tribuna num Palácio governamental? Em que momento da história um morador de rua pôde utilizar a palavra no Palácio presidencial, em qualquer país do mundo?”, completou.

Acusado por seus rivais de dividir o país entre pobres e ricos, o presidente tratou o dia de ontem como um marco. A comparação com Mandela ocorreu quando Lula lembrou que, também na África do Sul, os negros iam ao palácio de governo simplesmente para olhar, depois de décadas em que eram mantidos afastados pelo regime do apartheid, de segregação racial e dominado pelos brancos.

Ontem, Lula ficou emocionado em alguns momentos da cerimônia e ao final, com os olhos marejados, foi abraçado por alguns dos cerca de 500 catadores e moradores de rua que lotaram o salão oeste do Palácio do Planalto. Antes do evento começar, o locutor pediu aos presentes que tomassem cuidado e não tocassem num quadro na parede do local, por ser um “patrimônio do povo”.

Discursos

Antes de sua fala, Lula ouviu discursos de improviso de dois representantes de movimentos sociais. O primeiro a falar foi Luiz Fernando da Silva, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR). Ele pediu licença por diversas vezes para “quebrar o protocolo”, convidando outros integrantes para se aproximar do presidente, e, ao final de sua fala, fez um brincadeira com um dos temas da campanha petista à reeleição.

“O meu discurso foi breve pois todos nós sabemos da agenda recheada do presidente. Deixa o homem trabalhar”, afirmou, para risos de Lula e dos demais presentes. Em seguida, falou Sebastião Nicomedes de Oliveira, do Movimento Nacional de Luta em Defesa dos Direitos da População de Rua.

Chorando em alguns momentos, lembrou de seu passado nas ruas e afirmou que está “pouco se lixando para campanha política e pra partidos políticos”. Disse apenas estar preocupado com o fato de os moradores de rua terem agora uma “ponta de esperança”. Na cerimônia o governo anunciou uma linha de financiamento do BNDES para projetos ligados à área de reciclagem e criou um grupo de trabalho para analisar a situação de moradores de rua.

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