Política

Áreas ambientais: polêmica no Plano

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 2 min

Algumas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) de Bauru podem estar com os dias contados. O novo Plano Diretor (PD) estabelece que parte das APAs, ao redor da área urbanizada de Bauru, vai ser destinada à ocupação de novos empreendimentos industriais, comerciais e institucionais, ou seja, vai flexibilizar a legislação atual. A modificação estica o perímetro urbano em direção, sobretudo, aos eixos rodoviários, abrindo possibilidade para que o setor industrial se fortaleça ao longo dos eixos, principalmente nas suas margens, situação vedada pelo PD em vigor.

No entanto, alguns vereadores entendem que a mudança não surtirá efeito, já que a faixa destinada aos novos empreendimentos não ultrapassaria 200 metros, área considerada pífia pelos parlamentares. “Como uma grande empresa vai se estabelecer em Bauru, com um espaço de 200 metros?. Não tem condições. A mudança no Plano Diretor deve ser uma decisão política”, afirmou o vereador Marcelo Borges (PSDB), presidente da Comissão Temporária de Acompanhamento do PD, a ‘supercomissão’.

O principal questionamento dos vereadores, que defendem mudanças mais radicais no PD, é justamente com relação às APAs, por isso a possibilidade de alterar o projeto original e, ao invés de limitar o espaço destinado a empreendimentos nas áreas de proteção, os parlamentares podem eliminar essas áreas, mantendo apenas as que eles consideram fundamentais e as que são protegidas por legislação estadual, que não podem ser alteradas.

Como o Plano Diretor sugere um crescimento maior para a região norte da cidade, a APA que poderia deixar de existir, ou ter seu limite para construção ampliado, é o do córrego Água Parada (veja infográfico). “É importante preservar o meio ambiente, mas há lugares que são APAs e só tem pasto. Para que precisa de APA para proteger pasto?”, questionou Marcelo Borges.

Novo aeroporto

Borges também questiona a manutenção das APAs porque elas envolvem a área do aeroporto Bauru-Arealva, recém-inaugurado. Para o vereador, se insistirem em manter a faixa de crescimento dentro das áreas ambientais, conforme sugerido no PD, Bauru corre o risco de perder empreendimentos que poderiam vir em decorrência do aeroporto.

No entender do tucano, com as limitações, possíveis empreendedores escolheriam a cidade vizinha para investir, o que poderia gerar um aumento populacional em Bauru e, consequentemente, aumento na demanda social. “Temos que preparar áreas grandes, próximo do aeroporto, ou corremos o risco de perder as empresas para Arealva. Aí, Arealva fica com os impostos e Bauru com a demanda social”, disse.

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