Botucatu - A professora Sílvia Regina Rogatto, do Instituto de Biociências (IB), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (100 quilômetros de Bauru), foi premiada pelo International Research Promotion Council (IRPC) como a Cientista Eminente de 2006 da América do Sul.
O instituto, localizado na Índia, concedeu o prêmio em reconhecimento ao trabalho acadêmico desenvolvido pela professora em sua carreira e, especificamente, por um artigo publicado na revista Molecular Carcinogenesis em 2005. Este artigo informa sobre regiões do genoma relacionadas ao mioma uterino, que é um tipo de tumor comum entre mulheres em idade reprodutiva.
“No início, eu não acreditei, mas veio uma carta registrada, oficial, e vi que a coisa era séria. Eles pediram meu currículo, porque este prêmio não é só baseado na publicação. Ele é baseado também na história acadêmica e científica do pesquisador”, conta a professora.
Rogatto conta que orientou a estudante Renata de Azevedo Canevari em sua pesquisa que veio validar os dados do estudo. O artigo foi publicado por elas, na revista, em conjunto com a doutora Anaglória Pontes, da Unesp de Botucatu.
O diferencial na pesquisa realizada pela equipe da pesquisadora é que foi possível informar à comunidade científica sobre as novas regiões que ninguém nunca tinha estudado antes.
“O que nós informamos é que existem algumas seqüências (de genes) que podem ser alvos terapêuticos. Esta é uma base que vamos dar para quem investigar quais são esses genes que estão mapeados. E de que forma a gente pode usar uma droga para estimular ou inibir determinado produto”, explica.
Apesar do mioma uterino ser um tumor benigno, segundo a pesquisadora, ele é extremamente freqüente e pode causar alterações na vida reprodutiva da mulher além de dores abdominais e sangramentos intensos.
Rogatto diz que as pesquisas continuam, com base nos estudos já feitos, e que, agora, a equipe está na fase de investigação dos genes que podem ser alvos terapêutico. “Atualmente, estamos na fase de investigar, nessas regiões, quais são os genes envolvidos”, acredita.
De acordo com a professora, a premiação deve ser realizada em uma solenidade oficial na Unesp de Botucatu. Os premiados pelo IRPC devem receber uma placa emérita, um diploma e uma medalha de ouro, que serão enviados pelos organizadores do prêmio. “Isso transcende a individualidade ou o ego do pesquisador. É importante para a instituição, saber que tem gente competente, que é reconhecida sem nenhuma imposição política ou indicação”, afirma Rogatto.