São Paulo - O destino mais provável dos seis Lamborghinis apreendidos anteontem pela Polícia Federal (PF) é o leilão da Receita Federal realizado com mercadorias apreendidas por irregularidades. Nesse caso, os carros estão avaliados em R$ 1,3 milhão cada um e os impostos sonegados chegam a R$ 1,1 milhão. O delegado da PF Gilberto Pinheiro disse que é pouco provável que a empresa acusada de importar irregularmente conseguir liberar os carros para comercialização no Brasil.
De acordo com Pinheiro, cinco dos seis carros aprendidos no Salão do Automóvel de São Paulo entraram no Brasil em janeiro deste ano por meio dos portos de Manaus (AM), Paranaguá (PR) e Santos (SP). Na documentação, a TAG Importadora teria alegado testes de emissão de poluentes e os carros foram importados na modalidade chamada “admissão temporária”.
O prazo para devolver os carros para a origem é de 90 dias, prorrogáveis por mais 90. Se não for, os impostos devem recolhidos. O Ministério Público Federal, no entanto, investigou e concluiu que os carros, na verdade, entraram para comercialização pela Auto Europa e o argumento usado seria uma forma de evitar o pagamento dos impostos. A Justiça, em junho, deu ordem de apreensão dos carros e prisão do dono da TAG Importadora.
Os advogados da empresa conseguiram suspender a apreensão e a prisão do responsável e a empresa passou a ser o que a Justiça chama de fiel depositária. Ou seja, a empresa fica responsável pela guarda do carro, mas não pode usar, expor ou vender. Segundo a PF, a TAG Importadora e a Auto Europa tentaram, na Justiça, liberação para expor no Salão do Automóvel, mas o pedido foi negado. “A exposição foi um flagrante desacato à ordem judicial e a Justiça concedeu o mandado de apreensão”, disse Pinheiro.
Importação
O delegado Gilberto Pinheiro disse que os valores declarados dos carros serão investigados e que, em importações irregulares, sempre há suspeita de o valor declarado estar abaixo do valor real. Pinheiro disse que ainda que a modalidade “admissão temporária” na importação de veículos “virou febre” entre as empresas de São Paulo, que tentam sonegar os impostos na importação.
O delegado disse que outros quatro processos estão abertos investigando empresas importadoras que estariam irregulares. As empresa vão responder por sonegação fiscal, contrabando, corrupção ativa e fraude. Quem compro o veículo deverá responder por receptação. A polícia informou ainda que vai investigar suposta participação de funcionários públicos nas irregularidades.