São Paulo - O delegado Renato Sayão, da Polícia Federal (PF), deve ouvir na próxima semana os depoimentos de dez controladores de tráfego aéreo e supervisores, como parte das investigações sobre a queda do Boeing da Gol, ocorrida dia 29 do mês passado em Mato Grosso. Os depoimentos, previstos para ocorrer na segunda e na terça-feira, serão realizados em local reservado, cedido pela Aeronáutica, para evitar vazamento de informação.
A PF também quer ouvir três controladores de São José dos Campos (SP), de onde decolou o jato Legacy, também envolvido no acidente. A data, porém, ainda não foi confirmada. O delegado também deve pedir, na próxima semana, a renovação do inquérito por mais 60 dias. Os trabalhos se encerram no dia cinco de novembro.
O pedido deve ser entregue na quarta-feira (1 de novembro), quando Sayão, que está em Brasília, desembarca em Sinop (MT) para se encontrar com o juiz federal Charles Renaud Frazão de Moraes e discutir o inquérito. Foi o juiz quem determinou a apreensão dos passaportes do piloto de Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino - que permanecem no país. Nesta semana, Moraes decidiu que a competência para decidir sobre o pedido feito pelo delegado, que quer ter acesso ao conteúdo das caixas-pretas dos aviões, é do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A Aeronáutica negou o acesso da PF às investigação. Depoimentos Anteontem, Sayão ouviu Daniel Robert Bachmann, gerente de comunicação e marketing para jatos executivos da Embraer - fabricante do Legacy - e que estava a bordo da aeronave envolvida no acidente. O depoimento durou aproximadamente duas horas, mas o teor não foi divulgado. No último dia 20, o delegado ouviu Sérgio Mauro Costa, diretor do Departamento de Ensaios da Embraer.
Na ocasião, Costa informou que o Legacy funcionava normalmente e passou por sete testes - sendo três vôos de aceitação - antes de ser entregue à proprietária - a empresa de táxi aéreo americana ExcelAire. O Legacy teria colidido com o Boeing, provocando a queda do avião da Gol, que fazia o vôo 1907. Foi o maior acidente aéreo do país. O Legacy, apesar de danos na asa, conseguiu pousar na base aérea do Cachimbo, e nenhum dos sete ocupantes ficou ferido.
Caixa de voz
Na última terça-feira, militares que trabalham na área de mata fechada onde caiu o Boeing encontraram a caixa de gravação de voz do avião, considerada peça importante nas investigações do acidente. O equipamento será levado para a Organização Internacional de Aviação Civil, com sede no Canadá, como foi feito com a outra caixa-preta do Boeing e as do jato Legacy. A expectativa é que a caixa seja aberta na segunda-feira.