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Mães influenciam o rendimento escolar dos filhos, diz pesquisa

Folhapress
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Rio - Uma em cada cinco mães de crianças de zero a quatro anos no país são analfabetas totais ou funcionais. O dado, revelado pelo demógrafo Eduardo Rios Neto, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), indica um desafio para o Brasil que só será enfrentado, em sua opinião, com a adoção de políticas de ações afirmativas para esse grupo já no ensino básico.

A defesa de políticas públicas que privilegiem esse grupo tem como forte argumento a favor um dado bastante conhecido dos que trabalham com indicadores educacionais: um dos fatores que mais explicam o desempenho do estudante é a escolaridade da mãe. Isso pode ser comprovado por meio do Saeb, exame do MEC que avalia a qualidade da educação brasileira. Entre os alunos cujas mães nunca estudaram, 78,3% tiveram desempenho crítico ou muito crítico.

O percentual é também alto (63,1%) para as mães com menos de quatro anos completos de estudo, consideradas analfabetas funcionais. Já entre filhos de mães com nível superior, a proporção cai para 35,7%. A diferença no desempenho entre alunos conforme a escolaridade da mãe permanece mesmo quando se compara estudantes da mesma turma e nível socioeconômico. Mesmo em condições rigorosamente iguais, esses alunos terão mais dificuldade para aprender.

Os estudos do Cedeplar mostram que o percentual de crianças com mães com baixa escolaridade já foi maior no Brasil. Em 1983, por exemplo, elas eram 48% do total. Ainda assim, na opinião do demógrafo, o percentual de 20% é alto e traz desafios a serem enfrentados. “Se não agirmos de forma a compensar essa desigualdade desde cedo, dificilmente vamos atingir o objetivo de alcançar uma sociedade baseada num sistema meritocrático que dê oportunidades iguais para todos”, diz o demógrafo.

Para reverter esse quadro, Neto sugere políticas como escolas de tempo integral, melhor acesso a creches e pré-escolas de qualidade e uma melhor preparação da mãe para ensiná-la como ajudar a desenvolver as potencialidades do filho. Para ele, o investimento maior nesse grupo se justifica por que, se os recursos forem divididos igualmente entre todos, isso não será suficiente para compensar a desigualdade herdada por causa da baixa escolaridade da mãe.

“Quanto melhor for o sistema de ensino que desejamos daqui para a frente, maior será a demanda sobre a mãe para o acompanhamento do filho. Cabe ao Estado encontrar alguma forma de compensar essa deficiência, caso contrário, vamos continuar com um sistema em que parte dele terá uma educação de qualidade e outra não.”

As políticas de transferência de renda para essas mães menos escolarizadas são, na opinião de Neto, necessárias, porém insuficientes. “É preciso discutir o problema da oferta dos serviços, já que essa escola precisará ser de qualidade para compensar a desigualdade.”

Para o demógrafo, a preocupação com as políticas públicas para esse segmento deve levar em conta não apenas as crianças que estão nascendo neste momento mas também as crianças e jovens que, por causa dessas adversidades, adquiriram uma defasagem muito grande em relação aos demais.

É por isso que ele defende uma espécie de segunda fase do Bolsa Família, em que haja melhoria dos serviços voltados para a primeira infância ao mesmo tempo em que o benefício seja estendido para família com jovens. Hoje, só são consideradas no cálculo do valor a ser recebido pelo programa crianças menores de 15 anos.

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