Internacional

Irã duplica enriquecimento de urânio

Folhapress
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Teerã - O Irã anunciou ontem que estava colocando em funcionamento uma segunda bateria de centrífugas, numa indicação de que está prestes a duplicar sua capacidade de enriquecimento de urânio. A informação também demonstra o pouco caso do regime islâmico com as sanções que o Conselho de Segurança poderá adotar contra seu programa nuclear.

O anúncio foi feito pela agência de notícias oficial Isna. De acordo com as informações, a nova bateria foi instalada há duas semanas e já foi carregada com o gás que permite seu funcionamento.

Em Washington, o presidente George W. Bush afirmou que a comunidade internacional deve redobrar seus esforços para evitar que o Irã chegue a possuir a bomba atômica. “A idéia de que aquele país tenha uma arma nuclear é inaceitável.’’

A França afirmou que o regime iraniano “emitiu um sinal negativo’’ na direção da ONU, onde os embaixadores francês e britânico redigem a minuta de uma resolução, com a ajuda da delegação da Alemanha. Em Londres, um porta-voz diplomático disse que o assunto deve ser entregue às investigações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Contrariamente à Coréia do Norte, o Irã ainda mantém a parte visível de seus equipamentos sob o regime de inspeções internacionais. Ainda ontem, o chefe das negociações iranianas, Ali Larijani, ameaçou suspender as inspeções caso seu país seja punido pela ONU.

O regime islâmico tira partido da divisão entre os membros permanentes do Conselho de Segurança. A Rússia ameaçou vetar a primeira redação do texto, que impunha um embargo apenas às importações iranianas de material nuclear e reconhecia, como exceção, a tecnologia que Moscou fornece à central nuclear de Bouchehr, sem finalidades militares.

Os russos mantêm no Irã um ambicioso programa de investimentos e não querem que um embargo comprometa o comércio com aquele país. O ministro russo da Defesa, Serguei Ivanov, afirmou anteontem ser “muito cedo’’ para temer que o Irã obtenha urânio altamente enriquecido, com o objetivo de fabricar uma bomba.

O país festejou em fevereiro a produção da primeira porção de urânio enriquecido, a partir da bateria de 164 centrífugas (também chamadas de “cascatas’’). Mas os resultados eram ainda modestos. O combustível foi enriquecido a 4,5%, diz o “New York Times’’, quando para as usinas termonucleares é preciso chegar a 5% e, para a bomba, a 90%, o que seria um “trabalho de anos’’. A segunda bateria, cuja iminência operacional foi anunciada, também possui 164 centrífugas.

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