Amanhã é noite de música pop no TIM Festival em São Paulo. Versão reduzida do evento completo, realizado na capital carioca, a edição paulista apresenta shows dos pernambucanos Mombojó, os norte-americanos TV on the Radio, Thievery Corporation e Yeah Yeah Yeahs e o duo francês Daft Punk. O show, antes programado para a Arena Skol no Anhembi – espaço que se mostrou complicado pelos problemas de som, na edição passada -, agora será realizado na casa de shows Tom Brasil Nações Unidas.
Novo “hype” do art-rock de Nova York, o TV on the Radio mistura jazz, música eletrônica, soul e gospel em seu rock temperado. Elogiados pela imprensa internacional, eles têm, em seu rol de fãs artistas como David Bowie. Eles acabaram de lançar seu segundo disco, “Return to Cookie Mountain”. Formado pelos DJs e produtores Rob Garza e Eric Hilto, o Thievery Corporation é responsável por um coquetel que mistura eletrônica com dub, acid jazz, hip-hop e até bossa- nova em composições com forte conotação política.
Yeah Yeah Yeahs e Daft Punk devem ser os mais impressionantes da noite pop: os primeiros, pelas performances incendiárias da vocalista Karen O, e os segundos, pela parafernália de luzes e som, verdadeira pirotecnia eletrônica de sete toneladas que levam para o palco.
O trio nova-iorquino Yeah Yeah Yeahs tem ainda o baterista Brian Chase e o guitarrista Nick Zinner. Formado em 2000, ficou conhecido na cena americana ao abrir shows do White Stripes. Em 2003, a banda lançou seu primeiro disco, “Fever to Tell”, seguido de “Show Your Bones”, que saiu no início deste ano. Entre os hits que devem estar no show, estão “Maps”, “Black Tongue”, “Date With the Night”, “Gold Lion”, “Fancy” e “The Sweets”.
Fechando a noite, o Daft Punk deve provar porque foi um dos responsáveis pela explosão da música eletrônica na década passada. Guy Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter começaram misturando house progressivo, funk, electro, techno e hip hop e logo chamaram atenção nas pistas. “Homework”, seu primeiro disco, entregou o hit “Da Funk”, seguido de “Around The World”.
Mesmo sem mostrar o rosto, já que sempre apresentam-se vestidos de robôs, o duo estourou no universo pop com “One More Time” do disco “Discovery”, que venderia 2,9 milhões de cópias. No ano passado, eles lançaram “Human After All”. Promete entrar para a história, já que o duo não excursiona há dez anos.
No Auditório
Na programação jazzística do TIM Festival, os shows de hoje e amanhã, no Auditório do Ibirapuera, têm como destaque o baixista Charlie Haden, a trompetista Jennifer Sanon, o trio do pianista André Mehmari e The Maria Schneider Jazz Orchestra.
Haden, 69 anos, participou ativamente da revolução free dos anos 1960 ao lado do saxofonista Ornette Coleman. Já tocou ao lado dos pianistas Keith Jarrett e Paul Bley e, ultimamente, envolveu-se em uma curiosa fusão entre o jazz e o bolero.
A arranjadora, compositora e bandleader Maria Schneider faturou tantos prêmios em seus 46 anos de vida que poderia ser facilmente confundida com alguém tão veterano quanto Ahmad Jamal ou Charlie Haden. Mas foi somente em 1985, após desembarcar em Nova York, que Schneider começou a ganhar prestígio ao trabalhar como assistente do arranjador Gil Evans (um dos mais importantes professores de Miles Davis).
O projeto mais famoso da união entre Evans e Schneider foi a participação na trilha sonora do filme “A Cor do Dinheiro”. Finalmente, em 1993, Schneider criou seu próprio grupo, The Maria Schneider Jazz Orchestra, conquistando a fama de uma das arranjadoras mais contemporâneas do jazz.
O trompetista Roy Hargrove, 37 anos, esteve no Brasil em janeiro de 2005 e retorna para apresentar as composições que resultaram no lançamento de dois álbuns simultâneos neste ano, “Nothing Serious” e “Distractions”, divulgados pela Verve Records nos Estados Unidos (não foram lançados por aqui).
Ivan Lins, considerado um jazzista nos Estados Unidos, Japão e em alguns países europeus, mostrará as canções de seu novo álbum, “Acariocando”, dedicado ao produtor musical de seu trabalho, Paulinho Albuquerque, que morreu logo após o lançamento do disco. E a revelação brasileira, atração tradicional do TIM Festival em todas as edições anteriores, será o eclético pianista André Mehmari, 29 anos, tão impressionante entre composições de jazz quanto em peças da música erudita.
Mais informações no site www.timfestival.com.br.